Folha na Sucessão de Bush
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Obama e o fim dos escoteiros

Se Barack Obama conquistar a Presidência, será o fim dos escoteiros nos EUA. Isso mesmo. As políticas liberais de Obama vão forçar as associações de escoteiros a preferir o desmantelamento para evitar o risco de monitores gays dormindo em barracas de acampamento com garotinhos.

E isso é só o começo. As cidades americanas sofrerão terríveis ataques terroristas. Igrejas perderão suas isenções fiscais por barrarem casamentos gays. Pornografia praticamente será empurrada em cima de criancinhas. Médicos e enfermeiras serão forçados a praticar abortos em massa. O crime sofrerá uma escalada pela proibição do porte de armas. O discurso religioso será banido. Editores cristãos vão falir, Israel será arrasado por uma bomba nuclear, blecautes serão comuns devido a restrições energéticas ambientalistas, a Suprema Corte vai mandar prender evangélicos resistentes e boas famílias cristãs acabarão se mudando para a Austrália e a Nova Zelândia.

Esse é o cenário previsto em uma carta fictícia assinada por "um cristão em 2012" em caso de vitória do democrata. A carta, de 16 páginas, foi lançada nos Estados Unidos pela associação religiosa Focus on the Family (Foco na Família), um conglomerado que alcança com seus programas sociais e grupos de mídia cerca de 220 milhões de pessoas em 155 países.

Outros grupos cristãos ficaram furiosos. O líder evangélico Jim Wallis exigiu um pedido de desculpas do presidente e fundador da Focus on the Family, James Dobson. "Em época tão pouco civilizada na política, [a carta] mostra o tipo de liderança cristã negativa que se tornou tão embaraçosa para tantos de nossos irmãos cristãos na América", escreveu Wallis no site esquerdista "The Huffington Post".

David Waters, jornalista do "Washington Post", escreveu no blogue "On Faith" (sobre fé) que a carta é uma "história de horror" e a última edição do "fator medo" das eleições 2008. "Acho que o "A" de "A Christian" ("um cristão", como a carta está assinada) é uma abreviação para "Apocalíptico", disse Waters.

Antes de saber da carta, a Folha tentou por várias semanas entrevistar a Focus on the Family sobre sua visão das eleições deste ano, mas a associação recusou.

Escrito por Andrea Murta às 22h33

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Sarah & Sarkozy, it´s hot

Sarah & Sarkozy, it´s hot

 

Sarah Palin caiu na pegadinha da rádio canadense CKOI e teve uma conversa de seis minutos com um comediante que imaginou ser o presidente francês Nicolas Sarkozy. Entre muitos elogios à garra dela, ele, com um inglês carregado nos erres, puxou conversa sobre caçadas _sem Dick Cheney, por favor_ e confidenciou que a mulher, Carla Bruni, é "muito quente na cama".

A vice, impávida, parecia encantada com a deferência do chefe do Estado e tentou reagir com a maior naturalidade possível _afinal, apesar de "amigo", mesmo Sarkozy deve ser um francês exótico. Prometeu que é boa de pontaria. No final, o comediante revelou quem era e Palin passou o telefone à assessora que atendeu a ligação (e que muito possivelmente, a esta altura, deve estar fora da campanha).

O áudio está no blog democrata Huffington Post e pode ser ouvido neste link.  

Escrito por Claudia Antunes às 21h00

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Mídia sobre mídia

Mídia sobre mídia

 

O "New York Times" acaba de postar texto do seu crítico de mídia, Jim Rutenberg, em que ele compara as coberturas da disputa eleitoral na Fox e na MSNBC.

Na primeira, McCain está avançando a toda sobre a dianteira de Obama, mas a comentarista de direita Ann Coulter reclama que se sente como se estivesse a poucas horas da ascensão de Hitler, sem que ninguém se dê conta disso.

Na segunda, as pesquisas mais apertadas são ignoradas, mas o âncora Chris Matthews faz um apelo aos eleitores que podem hesitar em votar em Obama por causa da cor dizendo que ele "é um homem de família".

Deve ser a alta voltagem de nervosismo.

Escrito por Claudia Antunes às 18h21

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Vai entender

Vai entender

A média das pesquisas do dia não traz muitas novidades em relação a ontem, mas o que houve foi uma movimentação pouco coerente dentro de pesquisas que formam a média.

Na pesquisa Reuters/Zogby, por exemplo, a vantagem de Obama caiu de 7 para 5 pontos, enquanto no tracking do Gallup pela primeira vez as amostras "convencional" e "expandida" (que considera maior comparecimento de alguns grupos como jovens e minorias étnicas) dão a mesma vantagem para o democrata, de 10 pontos. Nos trackings anteriores, a dianteira dele sempre era maior na amostra expandida. As duas pesquisas foram feitas ontem.

Outra novidade é que, no momento, Obama voltou a ficar acima dos 50% das intenções de voto _ele andava pouco abaixo nos últimos dias.

A média:

Barack Obama - 50,2%

John McCain - 43,7%

No Colégio Eleitoral, onde realmente a eleição é decidida, o quadro não mudou.

Barack Obama - 311 votos, dos quais 238 considerados "sólidos"

John McCain - 132, dos quais 127 "sólidos"

Indefinidos - 95

São necessários 270 votos para vencer no Colégio Eleitoral.

 

Escrito por Claudia Antunes às 18h01

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Tia surpresa

Tia surpresa

Outubro passou sem que tivesse chegado a tão prognosticada "surpresa" que poderia virar a campanha em favor de John McCain. Especulava-se sobre um ataque terrorista, uma mensagem de Bin Laden ou, no caso mais drástico, um ataque israelense ao Irã.

Mas o que chegou, a três dias das eleições, foi uma mini-surpresa na forma de uma tia queniana de Obama, meia-irmã do pai dele, que estaria vivendo ilegalmente nos Estados Unidos há quatro anos. A história foi contada primeiro pelo jornal "Times" de Londres, na sexta-feira, e confirmada ontem pela agência americana Associated Press. Conta a agência que Zeituni Onyango teve o seu pedido de asilo rejeitado por um juiz e foi instruída a deixar os EUA. A "tia Zeituni" citada nas memórias do democrata, e que viajou do Quênia para assistir à posse dele no Senado, em 2004, vive hoje, diz a AP, num conjunto habitacional público de Boston.

A agência diz que checou a história com duas fontes, uma delas um funcionário do governo federal, e acrescenta que "não pôde confirmar se alguém do alto escalão do governo Bush ou da campanha de McCain esteve envolvido no vazamento da informação". Oficialmente, o Departamento de Imigração disse apenas que não poderia "comentar casos individuais". Também soltou uma instrução de que qualquer ordem de deportação até terça-feira tem de ser submetida ao alto escalão do departamento.

A campanha de Obama soltou uma nota dizendo que ele não sabia da situação irregular da tia e que a lei tem de ser cumprida no caso dela. A campanha diz que os dois se falaram pela última vez por telefone há dois anos, mas confirma que há nove anos Zeituni, de 56 anos, visitou Chicago a convite do sobrinho. Os dois se conheceram quando o democrata visitou o Quênia, há 20 anos, para recuperar a memória do pai que só viu uma vez, aos 10 anos.

David Axelrod, porta-voz da campanha de Obama, acusou o golpe: "O povo americano é muito sensato. E acho que vai desconfiar de coisas que são jogadas no mercado a 72 horas do pleito". Acrescentou: "Não estou preocupado".

Como lembrou aqui a minha colega Flávia Marreiro, a família do Obama deve ser mais numerosa do que a do Lula. O pai do democrata se casou pelo menos uma três vezes. O avô era polígamo. Há uns dois meses acharam um meio-irmão de Obama vivendo em uma casa de placas de zinco numa favela de Nairóbi. Quem quiser ir por aí vai encontrar mais informações que tirem a mensagem do candidato do eixo "oito anos bastam". 

 

Escrito por Claudia Antunes às 17h40

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Noite de Halloween

Noite de Halloween

Em meu primeiro Halloween em Nova York, acabo de voltar da rua, e é mesmo incrível a quantidade de pessoas fantasiadas passeando por aí, indo para as festas. Fiz as contas: em uma distância de cinco quarteirões na ida e mais cinco na volta, me deparei com uns 40 fantasiados. Três estavam vestidos de Obama, dois deles com máscara. Quatro estavam de Coringa, na versão Heath Ledger. Não vi nenhum McCain. Infelizmente, não topei com nenhuma Sarah Palin.

À esq., E desde quando o Obama é chinês?;
À dir., Coringa em versão Gal Costa

Ah, e o site de vendas BuyCostumes diz que o placar das máscaras vendidas ficou em 55% para Obama e 45% para McCain. Diz a lenda que quem emplaca mais máscaras costuma emplacar mais votos na eleição.

Escrito por Daniel Bergamasco às 23h49

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Foto do dia

Foto do dia

(EFE) Scharzenegger, um dos republicanos mais centristas, dá uma força para McCain em comício em Columbus (Ohio).

Escrito por Luciana Coelho às 22h36

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Lá vai o Arizona

Lá vai o Arizona

É realmente Dia das Bruxas para John McCain. Agora o Estado pelo qual ele é senador, o Arizona, entrou na coluna de indecisos. Veja como está o Colégio Eleitoral com essa mudança, segundo a projeção do Real Clear Politics.

Barack Obama - 311 (238 "consistentes" e 73 "pendentes")

John McCain - 132 (127 "consistentes" e 5 "pendentes")

Indefinidos - 95 (Flórida, Geórgia, Carolina do Norte, Missouri, Indiana, Arizona, Dakota do Norte e Montana)

Nas média de 11 pesquisas entre dia 25 e ontem:

Obama - 50%

McCain - 43,5%

Escrito por Luciana Coelho às 22h31

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E no Colégio...

E no Colégio...

...Eleitoral, a Pensilvânia deixou de ser solidamente Obama para apenas tender ao democrata, enquanto a Geórgia deixou de tender a McCain para se tornar indefinida. Obama soma 311 votos (238 "sólidos") na instância que elege o presidente, contra 142 de McCain (137 "sólidos") e 85 indefinidos. 

*

Nova York é o Estado mais obamista (vantagem de 29,7 pontos para o democrata), e o Alabama, o mais McCainzista (23,7 pontos). O mais indefinido é o Missouri, onde Obama aparece 0,2 ponto na frente.

Escrito por Luciana Coelho às 01h47

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Números

Números

O "New York Times" colocou no site sua nova pesquisa de intenção de votos feita junto com a rede CBS. A conclusão mais interessante, segundo o jornal, é que 59% consideram Sarah Palin despreparada para ser vice-presidente. E um terço dos entrevistados afirma que o nome do vice pesa, sim, na hora de votar.

A diferença de Obama sobre McCain nesse levantamento, feito entre os últimos dias 24 e 29 com 1.308 pessoas (margem de errod e 3 pontos percentuais em ambas as direções), é de 11 pontos, 51% a 40%, dois a menos do que na pesquisa anterior. No Real Clear Politics, a média de dez pesquisas agregada entre dia 23 e ontem dá 5,9 pontos para Obama, 49,7% a 43,8%.

* Contraponto

Segundo pesquisa com 997 pessoas feita pelo Center for Public Leadership, da Kennedy School of Governement (Harvard), e pelo Merriman River Group, 62% das pessoas não confiam na cobertura da mídia americana. Para 77%, ela é enviesada.

E ainda: 19,7% dos entrevistados dizem que a CNN tem a cobertura mais confiável para eles, e outros 13,9% citam a Fox News _são os dois líderes claros. "Entretanto, os dois grupos [que mencionam a Fox e a CNN] têm atitudes políticas bem diferentes entre si", diz o texto. Mas precisa de pesquisa para saber isso?

Escrito por Luciana Coelho às 01h38

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O megaanúncio de Obama

O megaanúncio de Obama

Com o cofre cheio, o candidato pode comprar 30 minutos em horário nobre em sete canais de TV _incluindo três dos quatro maiores_ e exibir uma peça publicitária sobre eleitores em dificuldades em quatro cantos do país, suas propostas para eles e depoimentos de figurões do partido. O resultado:

 

Escrito por Luciana Coelho às 14h07

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Minha aula com Rashid Khalidi

Minha aula com Rashid Khalidi

Em março do ano passado, durante uma visita que fiz a Nova York, meu amigo Gustavo Chacra (que tem um ótimo blog na concorrência, aliás) me levou para assistir com ele uma aula do mestrado que cursava em Columbia. O professor era Rashid Khalidi.

A sala estava lotada, a maioria dos alunos era mais nova do que nós. A aula era de História do Oriente Médio e naquele dia abordaria o equilíbrio populacional e o poder político na região (como primeiro os judeus e depois os palestinos usaram a bomba demográfica para tentar redistribuir as cartas). Ele falou por cerca de uma hora e meia, sem partidarismos _apesar da sensibilidade o tema e apesar de, fora da sala de aula, defender as posições palestinas. Ninguém deixou a cadeira, ninguém conversava, ninguém dormia, ninguém rabiscava.

Foi uma das aulas mais sensacionais a que eu assisti na vida. 

Olha, eu fiz USP (jornalismo, vá lá, mas meu currículo é coalhado de aulas na História, nas Ciências Sociais e no Direito), cursei especialização na NYU, vim de um bom colégio, sou filha de uma excelente professora de História e ainda dei a sorte _ainda dou_ de, em 11 anos, trabalhar com muita gente acima da média e disposta a ensinar. Ou seja: minha lista de aulas, no sentido estrito e amplo, memoráveis é longa, BEM longa.

Mas a aula do Khalidi é daquelas experiências únicas. Você não quer peder uma palavra do sujeito, que rabisca freneticamente números na lousa e responde a cada pergunta com uma pertinência e uma lógica tão fluidas que quase fica fácil entender uma das regiões mais politicamente complicadas do planeta.

Pois bem. Dono da cadeira de Estudos Árabes que foi do Edward Said em Columbia, diretor do Instituto de Oriente Médio da universidade, Khalid, que é palestino, está sendo comparado a terroristas e neonazistas pela campanha de McCain. É algo no mínimo surrealista.

A coisa explodiu hoje depois que McCain andou dando chiliques porque o jornal "Los Angeles Times", que declarou apoio a Obama, tinha um vídeo que mostra o democrata em uma festa em 2003 na qual Khalid está presente e não o exibiu (o vídeo foi obtido sob condição de não ser divulgado, alega o "LA Times").

“Há um vídeo (...) em que um dos principais porta-vozes da Organização para a Libertação da Palestina [a extinta OLP de Yasser Arafat], e por que ele não foi levado a público eu não seu dizer. Garanto que seu fosse uma fita comigo  e Sarah palin e uns neonazistas, ela ia ser tornada púbica. É claro que os americanos precisam saber disso, particularmente sobre Ayers, e também sobre a OLP."

Ah, sim, diz a campanha republicana que Bill Ayers, o ex-weatherman que nos anos 70 explodiu bombas nos EUA para protestar contra a Guerra do Vietnã, também estava. Ok, ele não aparece no vídeo, segundo quem assistiu, mas já se sabe que Obama o conhece _o democrata já lamentou o que Ayers fez no passado, e o republicano continua questionando a proximidade do laço do rival com o hoje professor universitário em Chicago.  

Depois, a Fox News reexibia a entrevista, com McCain dizendo: "Essas pessoas _Ayers e Khalidi_ cometeram atos terroristas".

Heim?! Até a Fox News foi obrigada a esclarecer que o professor não matou ninguém _embora tenham questionado seu passado.

Eu fiquei muda. Vou só colar abaixo a biografia do Khalidi de Columbia, uma das universidades de maior prestígio dos EUA.

Ah, sim. A ABC diz que o Instituto Internacional Republicano, de cuja direção McCain faz parte, já financiou projetos de Khalidi.

Education
D.Phil. – Oxford University 1974
B.A. – Yale University 1970
Current Departmental Service
Personnel Committee
Interests and Research
Rashid Khalidi, Edward Said Professor of Arab Studies, specializes in Middle Eastern history.
Affiliations
Member, Search Committee for Dean of the School of International and Public Affairs
Member, Executive Committee, Middle East Institute
Editor, Journal of Palestine Studies
Member, Conseil Scientifique, Ramses2, Maison Méditerranéenne des Sciences de l’Homme, Aix-en-Provence
Member, Council on Foreign Relations
Member, Board of Trustees, al-Quds University, Jerusalem
Member, Board of Trustees, Palestinian Initiative for the Promotion of Global Dialogue and Democracy
Member, Advisory Board, Bruno Kreisky Forum, Vienna
Member, Advisory Board, Encyclopedia of the Modern Middle East.
Member, Editorial Board, Comparative Studies of South Asia, Africa & the Middle East.
Manuscript reader,  University of California Press;  Cambridge University Press;  University of Chicago Press;  Columbia University Press;  Harvard University Press;  University of Indiana Press;  Penn State University Press;  Princeton University Press;  University of Utah Press

Escrito por Luciana Coelho às 23h14

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Comendo pelas bordas?

Comendo pelas bordas?

A campanha de John McCain acredita que o republicano, embora esteja em média seis pontos atrás do rival democrata nas pesquisas de intenção de voto, ainda pode vencer. Ou pelo menos quer que a mídia _que já enterrou o candidato republicano algumas vezes_ acredite que eles acreditam.

Para tanto, vazou hoje memorando interno do chefe de pesquisas da campanha, Bill McInturff, com táticas e meios pelos quais McCain poderia avançar e chegar ao dia 4 empatado com Barack Obama.  Spins a parte, é interessante para lançar luz sobre as táticas republicanas.

Uma das coisas que McInturff elucida é porque diabos McCain insiste tanto na Pensilvânia se Obama aparece com mais de dez pontos de vantagem ali. É que o Estado votou em Hillary Clinton nas prévias democratas, o que, crê o pesquisador, abre um flanco para penetrar no eleitorado e treverter a situação.

Outro ponto é que o pesquisador diz que a estratégia de vender Obama como "socialista" _palavrão pesado nos EUA_ está colando: alguns grupos, como os homens brancos de menor nível educacional e as mulheres brancas de renda anual até US$ 60 mil (as Wal-Mart moms) estão indo em massa para o republicano. "Obama já é visto como mais progressista do que [os candidatos democratas derrotados nas últimas eleições] Gore e Kerry", diz o analista.

Mais amanhã, na Folha, em reportagem do Fernando Rodrigues.

 

Escrito por Luciana Coelho às 22h16

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Nevada

Nevada

Nevada, Estado-pêndulo, passou hoje para a coluna dos que tendem a Barack Obama segundo a média de quatro pesquisas compiladas pelo Real Clear Politics, que dá 7,5 pontos de vantagem ali para o democrata. Com isso, ele soma 311 votos na projeção do site para o Colégio Eleitoral, onde são precisos 270 votos (maioria  simples dos 538 existentes) para vencer. Eis os números:

Obama - 311 (259 "consistentes" e 32 "tendência")

McCain - 157 (127 "consistentes" e 30 "tendência")

Indefinidos - 70 (Flórida, Carolina do Norte, Indiana, Missouri, Montana e Dakota do Norte)

Já na média de pesquisas nacionais agrupadas pelo mesmo site, que hoje leva em conta dez levantamentos feitos entre dia 22 e ontem, Obama tem vantagem de seis pontos _0,7 a menos do que ontem. A maior margem aparece no Pew ainda (15 pontos), e a menor, de três pontos, no Gallup, Battleground e Rasmussen.

Obama - 50%

McCain - 44%

Escrito por Luciana Coelho às 16h17

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Uma semana

Uma semana

Obama mantém 6,7 pontos na média do RCP _as 11 pesquisas compiladas froam renovadas hoje, recolhidas entre dia 21 e ontem. Em sua vantagem mais larga, o democrata tem 15 pontos a mais (no Pew); na mais modesta, 2 (no Gallup traidicional, que não prevê expansão da base eleitoral). Veja os números:

Barack Obama - 50,5%

John McCain - 43,8%

Na projeção do Colégio Eleitoral pelo RCP, continua tudo igual.

Obama - 306 (255 "sólidos" e 51 "pendentes")

McCain - 157 (127 "sólidos" e 30 "pendentes")

Indefinidos - 75 (Flórida, Carolina do Norte, Indiana, Missouri, Nevada, Montana e Dakota do Norte)

Escrito por Luciana Coelho às 21h55

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TV Obama

TV Obama

A campanha de Barack Obama anunciou que o senador democrata aparecerá amanhã no programa de Jon Stewart, em um link se não me engano da Flórida. O programa de Stewart, a cabo, faz sucesso entre o público de 18 a 35 anos _que já respondeu, em pesquisa, que o talk show satírico era uma de suas principais fontes de informação política.

Não é só isso. A campanha também comprou para amanhã 30 minutos de programação em duas das três maiores emissoras abertas americanas, a NBC e a CBS (a ABC não chegou a um acordo), na conservadora Fox (* o leitor Leandro nos corrige que é aberta, e não no cabo como eu havia dito*) e na Univisión principal canal de língua espanhola do país.  O objetivo é exibir um filme publicitário sobre o candidato, chamado "American Stories" (ou sobre eleitores do candidato pelo país).

A megaofensiva midiática na reta final _nos EUA não há horário político, apenas comerciais comprados em emissoras como de qualquer outro produto_ acontece no mesmo dia em que McCain encerra seus argumentos de campanha focando no front da Defesa.

Briga boa para saber quem ditará o ciclo noticioso do dia.

Escrito por Luciana Coelho às 16h48

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McCain encolhe no Arizona

McCain encolhe no Arizona

A uma semana da eleição, Barack Obama sustenta a vantagem acima dos 7 pontos na média de 11 pesquisas compilada entre dia 19 e ontem pelo Real Clear Politics. No Colégio Eleitoral, está a 15 votos "sólidos" da marca necessária para se eleger _270 votos, maioria simples na instância de 538 assentos.

Barack Obama - 50,5%

John McCain - 43,2%

A principal mudança no Colégio é que estranhamente o Arizona, Estado pelo qual McCain é senador, deixou de ser sólido para ser pendente a ele _a margem do senador está em 7,3 pontos ali.

Obama - 306 (255 "sólidos" e 51 "pendentes")

McCain - 157 (127 "sólidos" e 30 "pendentes")

Indefinidos - 75 (Flórida, Carolina do Norte, Indiana, Missouri, Nevada, Montana e Dakota do Norte)

Escrito por Luciana Coelho às 00h23

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Conselho de diplomata

Conselho de diplomata

Nicholas Burns, diplomata de carreira que serviu como número 3 do Departamento de Estado até o primeiro semestre deste ano, publicou artigo na "Newsweek" defendendo que os EUA negociem com seus inimigos (como Obama sugeriu primeiro e depois voltou atrás).

Mais do que isso, ele questiona quão sábio é dizer que você jamais aceitará um interlocutor X, como tem feito McCain. E diz que aposta que, se houvesse uma pesquisa entre diplomatas que serviram desde o governo Carter até o atual governo Bush, a maioria concordaria com ele.

Escrito por Luciana Coelho às 16h27

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Carta ao próximo presidente americano

Carta ao próximo presidente americano

Não é minha (haha). É de Richard Haass, diretor do Council on Foreign Relations e um dos principais especialistas em relações internacionais nos EUA (a quem, aliás, Sérgio Dávila já entrevistou).

Um dos primeiros teóricos a encampar a tese do mundo apolar, Haass escreve com um otimismo pragmático, e não antevê o fim do mundo (para os EUA). Mas lembra que as coisas não serão fáceis _saldo não só da hecatombe financeira atual como de uma fieira de erros do governo presente (Enron, Katrina, Abu Ghraib).

Os EUA ainda são fortes, mas precisam agir em conjunto com China, Rússia, Europa, Brasil, Irã, paquistão (não necessariamente nessa ordem), diz Haass. Precisam reavivar o processo de paz israelo-palestino. Precisam pôr ordem no lamaçal afegão. Precisam repensar _e não sozinhos_ as instituições que regem a economia mundial. 

Haass sugere também que o próximo presidente invista seu vice de responsabilidades. "Que ele seja um conselheiro, um ministro sem pasta", escreve. Que realmente cumpra a promessa _feita por ambos os candidatos_ de cruzar a fronteira partidária e que evite grandes reorganizações administrativas, como criar secretarias e redistribuir poderes. E lembra que convém voltar a investir em comércio _afinal, um dos sustentáculos do poder americano.

A carta toda está aqui.   

Escrito por Luciana Coelho às 15h06

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Loas de Updike a Obama

Loas de Updike a Obama

Ah, sim. Se os analistas políticos parecem um tanto amuados com suas escolhas, o escritor John Updike fez questão de bradar em entrevista ao britânico Guardian que é 100% Obama.

Updike, um dos maiores nomes da Literatura americana ainda vivos (eu evito essas etiquetas, mas vá lá), surpreendeu-se ao saber que foi citado pelos dois candidatos na categoria "escritor favorito". "McCain lê alguma coisa?", questiona. Esse petardo vem depois de dizer que Sarah Palin tem cérebro de passarinho e que McCain é irritante por ser tão nervosinho e ranger os dentes...

Mas divertido mesmo são os livros (dele mesmo, claro), recomendados a cada um dos quatro postulantes (a presidente e a vice): "Para McCain, 'Memories of the Ford Administration', sobre um acadêmico que mal se lembra do governo de Gerald Ford porque estava ocupado demais tendo um caso e pesquisando a Presidência de James Buchanan. Buchanan era velho, cansado, pouco eficaz e fracassou em evitar a Guerra Civil; Abraham Lincoln o sucedeu. Talvez se McCain lesse o livro, ele teria a humildade de perceber que deveria ceder a vez a um homem mais jovem e brilhante. Ou não." E Obama? "'The Coup', sobre um país imaginário cujo ditador finge odiar os EUA embora tenha estudado lá. A piada é quão diferente de Obama meu personagem é."

Escrito por Luciana Coelho às 23h23

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Quem você apóia?

Quem você apóia?

Depois de uma avalanche de jornais declarando apoio a Barack Obama _"New York Times" e "Financial Times" são os mais recentes na lista_, o site Politico fez essa pergunta para os analistas que participam de sua seção "Arena", de debates sobre um tópico X em respostas curtas. O resultado é bem interessante e está aqui _embora em alguns casos não haja surpresa.

A lista é extensa, as respostas longa, e em muitos casos os "endossos" para um lado ou para outro parecem ser feitos sem grande animação, mais por ojeriza ao lado oposto do que por convicção no candidato escolhido. Mas a Arena está bem balanceada.

Escrito por Luciana Coelho às 23h11

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Domingo de sol...

Domingo de sol...

...provavelmente o último antes de um longo e tenebroso inverno que se aproxima. Para esses jovens de Nova York, o melhor programa foi se dirigir para esse bar de hotel, na rua Bowery, e passar a tarde ligando de seu iPhone (a maioria tinha iPhone ou similar) para eleitores de Estados onde a eleição está mais acirrada, como Ohio e Flórida. Passei por lá e fiz algumas fotos:






Na caminhada pela Baixa Manhattan, algumas cenas de rua:


Sarah Palin bateu Osama Bin Laden e é hoje a
pessoa mais odiada de Nova York



Obama e McCain, "a luta das lutas"


Exposição "All or Nothing", de Ryan Humphrey, na galeria DCKT

Escrito por Daniel Bergamasco às 21h29

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O blog Folha na Sucessão de Bush coloca uma lupa na eleição presidencial nos EUA e magnifica a cobertura da Folha. Com os repórteres Sérgio Dávila, Fernando Rodrigues, Daniel Bergamasco e Andrea Murta em campo e os comentários da editora de Mundo da Folha, Claudia Antunes, e da editora-adjunta, Luciana Coelho, traz bastidores, discussões e curiosidades que ajudam a explicar este momento de transição na história americana.

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