Folha na Sucessão de Bush
Folha na Sucessão de Bush
 

Quando o telefone toca...

Quando o telefone toca...

pode ser da campanha de McCain. Em alguns Estados-chave para a eleição, ligações que começaram a ser feitas na última quinta-feira contém mensagem que, de novo, liga Barack Obama a William Ayers.

Obama "trabalhou muito perto do terrorista doméstico Bill Ayers, cuja organização jogou bombas no Capitólio e no Pentágono", diz a gravação. No Maine, a senadora republicana Susan Collins, candidata à reeleição, pediu o fim das ligações automáticas dizendo que no Estado "não há lugar para esse tipo de tática".

As ligações estão ocorrendo, entre outros, nos Estados de Nevada e Wisconsin.

Escrito por Claudia Antunes às 02h53

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O "annus horribilis" de Buckley

O "annus horribilis" de Buckley

O "New York Times" acaba de postar em seu website uma entrevista com Christopher Buckley, o herdeiro do guru conservador William Buckley que declarou o voto em Barack Obama e logo em seguida deixou sua coluna na "National Review" _na qual, no entanto, ainda detém significativa participação acionária.

A reportagem vai na linha psicológica que os jornais e celebridades americanos adoram. Finalmente, aos 56 anos, Christopher pode se libertar da imagem do pai, que morreu no ano passado. Ele se queixa na entrevista de que teve um "annus horribilis". Mas o gesto político lhe renderá dividendos financeiros. O filho liberto está lançando um novo romance em meio à maior onda de atenção da mídia que já teve em sua vida.

O rompante (bem pensado) de Christopher também está rendendo publicidade extraordinária ao site satírico The Daily Beast, onde publicou o artigo pró-Obama no último fim de semana. O site acaba de ser fundado pela polêmica editora Tina Brown, ex-"Vanity Fair" e ex-"New Yorker", além de biógrafa da princesa Diana. 

O show tem que continuar.

Escrito por Claudia Antunes às 23h20

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Mais apoio conservador e um porém

Três jornalões americanos declararam hoje seu apoio a Barack Obama _o "Washington Post", de linha editorial cada vez mais conservadora, principalmente em política externa; o "Los Angeles Times" e o "Chicago Tribune", que, apesar de ser da terra do candidato, pela primeira vez na história apóia um democrata à Presidência.

A onda obamista vem crescendo, pelo menos quando se contam os "formadores de opinião", mas há várias razões para evitar dar a disputa por terminada.

A primeira delas é que, se fosse levado em conta o prestígio na mídia, a solidez da campanha e o mau impacto para os republicanos da crise econômica, Obama deveria estar com vantagem maior nas pesquisas de intenção de voto.

É verdade que ele vem mantendo a liderança nas últimas três semanas, mas sua vantagem sobre McCain nunca passou muito dos 7 pontos percentuais _o momento era outro, claro, mas John Kerry, quando perdeu para Bush em 2004, chegou a ter tal vantagem pouco antes da votação.

Hoje, por exemplo, o tracking normal do Gallup, concluído ontem, deu ao democrata apenas 2 pontos de dianteira, contra 10 pontos apurados pelo tracking do Rasmussen. Uma razão para desconfiar dos levantamentos, pelo menos. Eles podem estar errando para mais, contra McCain, ou para menos, ao não captar, por exemplo, os votos de quem não tem telefone fixo. Estes eleitores, mais jovens, tendem para Obama.

 

 

Escrito por Claudia Antunes às 21h16

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Obama e McCain, versão fanfarrona

Sem muitos motivos para rir ultimamente (afinal, mesmo quem ganhar a Casa Branca não vai ter uma temporada lá muito feliz), John McCain e Barack Obama resolveram passar a perna nos programas humorísticos que tanto têm brilhado às suas custas e fizeram, cada um, suas próprias piadas (quer dizer, deles e dos speechwriters). Palin, Acron e Joe the plumber não escaparam.

Foi ontem, no "Jantar Al Smith", tradicional evento em Nova York que recolhe fundos para uma instituições católicas de caridade direcionadas a crianças e no qual os presidenciáveis e outros políticos tradicionalmente fazem discursos bem-humorados. Depois do estresse do último debate, eu diria que os dois se saíram bem. A transcrição (em inglês) do discurso de McCain está aqui, e a do de Obama, aqui.

Estamos com problemas de publicação na ferramenta do UOL, mas por enquanto o link do vídeo vai aqui.

Escrito por Luciana Coelho às 16h26

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Conservadores caem de amor por Obama

Depois de Christopher Buckley, ex-"National Review" (ele teve de sair depois de declarar voto no democrata), agora é David Brooks, do "New York Times", que enaltece a personalidade de Obama em artigo publicado hoje.

"Estamos observando Barack Obama há dois anos, e em todo esse tempo não houve um momento em que ele tenha perdido seu auto-controle publicamente. Foi um período de tumulto, combate, exaustão e crise. E mesmo assim não houve um momento em que ele mostrou raiva, ressentimento, medo, ansiedade, amargura, êxtase, pena de si mesmo ou impulsividade", derrete-se Brooks.

Escrito por Claudia Antunes às 14h05

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E no vale escondido...

E no vale escondido...

O que é preciso para conseguir uma torre de telefonia celular exclusiva para sua fazenda em um vale remoto? A julgar por uma denúncia feita pelo "Washington Post" ontem, ser casada com um senador é um bom caminho. O jornal divulgou horas antes do último debate presidencial da corrida à Casa Branca 2008 que Cindy McCain, mulher do senador pelo Arizona John McCain, recebeu de graça não apenas uma, mas duas torres móveis, das empresas Verizon e AT&T _coincidentemente as mais usadas por McCain durante a campanha.

As torres _que normalmente são usadas para restaurar a cobertura de celulares durante emergências, como um furacão_ chegaram em meados de 2007, quando o senador já havia lançado sua pré-candidatura à Presidência.

"É uma situação incomum", disse a porta-voz da AT&T. "Não dá para ter um candidato à Presidência em uma área sem cobertura de celular."

No último ano, Cindy ofereceu um pedaço de terra para instalação de uma torre permanente, o que foi aceito pela Verizon, "apesar de poucas pessoas poderem se beneficiar disso além dos McCain", diz o "Post".

Cinco assessores da campanha de McCain, inclusive seu diretor, Rick Davis, já foram lobistas da Verizon. Vários outros foram lobistas da AT&T. Ambas as empresas contribuíram com quantias vultuosas à campanha do republicano, por meio de arrecadações e doações de funcionários. E McCain é membro sênior da Comissão de Comércio do Senado, que supervisiona as telecomunicações.

A campanha de McCain afirmou que o senador não é um regulador do setor e que Cindy não recebeu nenhum favor especial. "A equipe da sra. McCain fez o pedido pelo website como qualquer membro do público _sem pedir favores, sem telefonemas, sem envolver a equipe do Senado. Só porque ela é casada com um senador não significa que ela abre mão do direito de pedir por um serviço de celular como qualquer cliente da Verizon."

Perseguição ou privilégio?

Escrito por Andrea Murta às 15h04

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Pesquisas pré-debate

Pesquisas pré-debate

Barack Obama segue na frente na média de pesquisas compilada pelo Real Clear Politics com vantagem de 6,8 pontos.

Obviamente nenhum dos 13 levantamentos, compilados entre dia 9 e ontem, capta o efeito do derradeiro debate, no qual Obama foi avaliado como o melhor por 58% dos entrevistados pela CNN em sua pesquisa instantânea, mas no qual McCain (31%), segundo analistas,também teve seus méritos. Veja os números de hoje:

Barack Obama - 49,5%

John McCain - 42,6%

No Colégio Eleitoral, não há novidades em termos de projeção. Washington passou de tendendo a Obama para "consistente" na coluna do democrata. E a Flórida continua a pendular, com o democrata com uma vantagem média de 4,8 pontos (dentro, portanto, da margem de erro).

Obama - 286 (249 "sólidos" e 37 "tendência")

McCain - 158 (140 "sólidos" e 18 "tendência")

Indefinidos - 94

Escrito por Luciana Coelho às 14h52

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Joe e o Ultimate Fight

Joe e o Ultimate Fight

(AP) O encanador Joe conversa com Obama no domingo, antes de suspeitar que seria a estrela do debate

Quando John McCain disparou "Senador Obama, eu não sou o presidente Bush", achei que ele podia até ganhar o debate desta noite, o último confronto da atual disputa. A maioria de nós aqui achou. Era uma frase que ele devia vir treinando há semanas, talvez murmurando para si, aquele tão necessário descolamento do atual _e lúgubre_ ocupante da Casa Branca. 

Mas em algum momento em Hempstead, o que era vigor e segurança transbordou em agressividade e, embora não tenha chegado ao ponto de descontrole, cruzou a bruma entre o que parece presidenciável e o que não parece. Assim, conforme avançava o debate, Obama parecia presidenciável, sereno, seguro. E McCain ia diminuindo. Com ele, ia a chance de virar o jogo quando as pesquisas colocam o democrata em média oito pontos na sua frente a menos de três semanas da eleição.

Há de se dizer que, dos três confrontos entre os candidatos, este foi o que o republicano saiu-se melhor. Ele foi firme e bastante incisivo em alguns momentos, saiu-se melhor ao finalmente responder a pergunta batucada nos três debates, por três mediadores diferentes, sobre o que cortar em seu programa de governo diante da calamidade financeira atual (Obama se esquivou de novo). Disparou acusações contra o rival com tamanha firmeza que, ainda que mentirosas como a ladainha sobre a proximidade entre o senador e Bill Ayers, encontrarão acolhida em muitos ouvidos em dúvida.  

Só que a calma do adversário em suas reações foi desconcertando McCain. E ele perdeu o eixo. Fez-se de vítima, se disse insultado pelas conexões que democratas fizeram entre ele e segregacionistas (seguidas por desculpas públicas), enquanto foi em seus comícios que as pessoas gritavam que Obama era um terrorista e devia ser morto. Errou ao dizer que, por sua posição favorável ao aborto, Obama votara contra a nomeação de um juiz à Suprema Corte quando o democrata nem sequer era senador. E se perdeu ao alongar sua explanação contra o aborto e dar ao rival a chance de fazer um discurso bem mais veemente.

Obama começou um pouco mais devagar, fugiu de algumas perguntas, mas foi contundente ao se defender das acusações do adversário sobre aumentar impostos e "andar por aí com terroristas". Foi ganhando voz. Soou nada ingênuo, soou mais pragmático do que o oponente. E falou de economia sem parecer pessimista demais para afugentar o eleitor inseguro com a crise.

Foi no geral o melhor dos três debates, de longe _em boa medida graças ao mediador, Bob Schieffer, contundente e insistente, e ao formato, que acomodou bem os dois candidatos ao mantê-los sentados, focados e possibilitar a discussão direta (a transcrição em inglês está aqui, com menção inédita ao Brasil).

Mas no fim das contas, o ganhador da noite foi Joe the Plumber, o encanador evocado 26 vezes no debate, sobretudo por McCain, para encarnar a imensa classe média americana, freqüentemente esquecida nos discursos do republicano. De olho em um pequeno negócio, o encanador Joe Wurzelbacher, de Ohio, vai ganhar US$ 250 mil por ano. É o limiar da faixa de renda para a qual Obama propõe subir impostos, e McCain se aferrou ao personagem como sua última esperança. "Joe, quero te dizer, eu não vou só te ajudar a comprar esse negócio... eu vou manter seus impostos baixos", insistiu McCain.

Joe agora paira na blogosfera como o personagem definitivo desta eleição. E, ao menos por ora, Joe não declara em quem vai votar. 

Escrito por Luciana Coelho às 01h36

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Pérolas do debate

Pérolas do debate

Samy Adghirni e Rodrigo Rötzsch, aqui na Redação, pegaram as principais frases desta noite _sem dúvida bem mais emocionante do que as duas anteriores. Para a história, será o debate de Joe the Plumber.

ISTO É JOHN MCCAIN

"Joe o encanador, não vou deixar desaparecer a empresa pela qual você se dedicou a vida inteira. Vou baixar os impostos e não permitirei que as taxas acabem com os empregos que está criando"

"Obama acha que temos que espalhar a riqueza. Ou seja, ele quer pegar o dinheiro dos outros e sair distribuindo por aí. Como você pode pensar em aumenter os impostos de quem quer seja nesses tempos difíceis?"

"As empresas americanas estão pagando a segunda carga maior fiscal do mundo. As companhias vão acabar indo embora rumo a lugares onde se paga menos impostos."

"Temos que parara de enviar US$ 700 bilhões por ano a países que não gostam muito de nós."

"Ao contrário de Obama, eu me oponho aos susídios à produção de etanol de milho. Eu quero estimular a importação de etanol do Brasil"

"Senador Obama, eu não sou presidente Bush. Se você quisesse concorrer contra Bush, teria que ter se candidato quatro anos antes"

"Tem sido uma campanha dura. O tom poderia ter sido outro. Lamentos exageros de alguns comentarios dos dois lados. Tomou rumos inaceitáveis. Eu repudiei os comentários mais injustos"

"Obama botou mais dinheiro em anúncios negativos do que qualquer outro canditado na história. Obama tem os maiores gastos publicitários em qualquer campanha da história"

"Joe Biden esteve errado em muitos assuntos de segurança nacional e política externa, como quando ele teve a idéia maluca de dividir o Iraque em três países"

"Em sete, oito ou dez anos, podemos acabar copm nossa dependencia de petróleo de lugares que representam uma ameaça à nossa segurança""Obama é contra um acordo de livre comércio com a Colômbia, nosso maior aliado regional, mas se diz disposto a sentar para negociar sem pré-condições com Hugo Chávez, que apoia terroristas"

"Obama quer que o govermo faça o trabalho, Joe, Mas eu quero que você mesmo faça o trabalho e se ajude"

"A america precisa de um nova direção. Não podemos ficar no que foi os ultimos oito anos. Pssei a vioda inteira à serviço deste país e colocand-o sempre em primeiro lugar"

ISTO É BARACK OBAMA

"Observadores independentes olharam nossos planos e concluíram que eu dou um alívio tributário três vezes maior que o de McCain. Meu amigo e apoiador Warren Buffet pode pagar mais impostos para ajudar a cortar os impostos para Joe, o encandor, antes que ele ganhe mais de US$ 250 mil"

"Todo dólar de gastos que eu proponho, eu proponho outro em corte de gastos. Depois dessa crise, vamos ter que abraçar uma cultura de ética e responsabilidade"

"Em questão econômica, o que McCain propõe são essencialmente quatro anos mais do mesmo. E os americanos sabem que esse é o caminho errado"

"Dois terços dos americanos acreditam que a campanha de McCain é negativa. Cem por cento dos seus anúncios são negativos. Eu não me importo de ser atacado por três semanas. O que os americanos não mercem, porém, são quatro anos a mais das mesmas políticas econômicas"

"Para resolver os problemas que enfrentamos, democratas, republicanos e independentes têm que trabalhar juntos. Podemos discordar, mas não podemos qualificar os outros de más pessoas"

"Bill Ayers se tornou a peça central da campanha de McCain. Ele é professor em Chicago. Há 40 anos, quando eu tinha 8 anos de idade, ele se engajou em atos detestáveis, que eu condenei. Ele não está envolvido na minha campanha e não me dará conselhos na Casa Branca. O fato de você focar sua campanha nele diz mais sobre a sua campanha do que diz sobre mim"

"A alegação que McCain sempre faz é que eu estou associado com problema. Deixe eu dizer com quem me associo: Warren Buffet, Joe Biden, Dick Lugar. Essas são as pessoas, democratas e republicanas, que me cercarão na Casa Branca"

"Em dez anos, podemos reduzir nossa dependência para que não tenhamos mais que importar petróleo do Oriente Médio. Essa é a questão mais importante que enfrentaremos. Nós não podemos emprestar US$ 700 bilhões da China e dar à Arábia Saudita. Isso é hipotecar o futuro das nosas crianças"

"Acredito em livre comércio, mas a gestão Bush acha que todo acordo de livre comércio é um bom acordo. Nós temos que ter um presidente que advogue pelos trabalhadores americanos, e eu não pedirei desculpas por isso"

"Tudo que eu quero fazer se você já tem um plano de saúde é diminuir seus custos. Isso inclui você, Joe [o encanador]"

Escrito por Luciana Coelho às 00h07

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Joe the Plumber

Joe the Plumber

Hm, o debate está mais quente do que os anteriores até agora. Eu gosto da versão tudo-ou-nada dos dois candidatos.

Mas a estrela é Joe, the Plumber, o encanador de Ohio a quem Obama explicou sua política tributária nesta semana, que na versão de McCain já parece um chapa de longa data. O republicano já citou o encanador umas três vezes como o trabalhador médio que quer ter seu pequeno negócio, o sujeito, diz ele, a quem "Obama quer mudar de faixa tributária e cobrar mais impostos".

Senhores, meet Joe the Plumber:

* adendo (23:26): Comentários finais. Joe the Plumber estará no Saturday Night Live, certo?

McCain falou dele quantas vezes? 10? 11? "My old buddy Joe the Plumber"???

De qualquer forma, foi o melhor dos debates. Para ambos.

Escrito por Luciana Coelho às 22h37

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Alta ansiedade

Alta ansiedade

Faltam agora menos de duas horas para começar o debate, e o clima nos Estados Unidos é de alta ansiedade. Apesar da vantagem de Obama nas pesquisas, os blogueiros democratas não escondem o medo de que seu candidato, sempre tão cool, desta vez dê alguma mancada. Principalmente porque este confronto está sendo visto como a última chance de recuperação para McCain, e não se sabe qual de duas estratégias o republicano adotará:

1) Esquecer os ataques pessoais e tentar um diálogo direto e passional com o povo americano sobre as suas propostas para a crise econômica, no dia em que mais uma vez o mercado acionário deu sinais de pânico depois de novos dados ruins sobre consumo e emprego. Essa opção poderia incluir alguma surpresa de última hora, como renegar Bush totalmente ou prometer que não buscará a reeleição se eleito (quer dizer, o guerreiro repousaria depois de "consertar" o país);

2) Apostar tudo no questionamento do patriotismo de Obama, esperando que isso possa fazer o democrata perder a cabeça e a vantagem em intenção de votos que acumula há duas semanas. A pesquisa "New York Times"/CBS divulgada ontem à noite mostra que McCain perdeu votos com a radicalização retórica e o discurso errático das últimas semanas, mas também mostra que Obama ganhou sobretudo por manter a calma diante da ofensiva do oponente. As "surpresas" de que falei acima também poderiam ser incluídas nessa opção.

 

  

Escrito por Claudia Antunes às 20h21

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Cinqüenta por cento

Cinqüenta por cento

Com a mais recente pesquisa do "New York Times" com a CBS, que coloca Obama 14 pontos à frente de McCain, o democrata dilatou sua vantagem na média de 13 levantamentos compilada pelo Real Clear Politics entre o dia 7 e ontem, contabilizando agora 7,6 pontos percetuais adiante do republicano.

Barack Obama - 50%

John McCain - 42,4%

No Colégio Eleitoral, Obama perdeu a Flórida, que havia "conquistado" dois dias atrás para a coluna dos que pendem a ele. Com a adição do levantamento do InAdv/PollPosition, a vantagem do democrata recuou para menos de 5 pontos (4,8), o que leva o Estado, com seus 27 votos, a pendular de volta para a coluna de indefinidos. São precisos 270 votos para vencer no Colégio Eleitoral. Veja a projeção de hoje do RCP.

Obama - 286 (249 "consistentes" e 37 "tendência")

McCain - 158 (140 "consistentes" e 18 "tendência")

Indefinidos - 94

Escrito por Luciana Coelho às 12h43

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Hardy, a hiena

Hardy, a hiena

 
 
Há algo em John McCain que lembra a minha infância.
 
Conforme essa impressão foi ficando mais forte, no avançar da campanha (e da hecatombe financeira), a ficha caiu: o candidato republicano incorpora, com semelhança cada vez mais impressionante, Hardy Har-Har
 
Para quem não se lembra, Hardy Har-Har é aquela hiena desenxabida criada pela genial dupla de cartunistas Hanna-Barbera em algum ponto dos anos 60 (e que até os anos 80 ainda freqüentava nossas sessões-desenho) para ser a parceira do altivo e assertivo leão Lippy. Seu bordão era "oh-dia-oh-céus-oh-azar", e uma frase constante, "Lippy, isso não vai dar certo".
 
Pois sempre achei Hardy Har-Har um arquétipo daqueles com que se tromba com certa freqüência pela vida (a real e a dos noticiários). Mas não me ocorre agora alguém, nem John Kerry em 2004, que tenha vestido a pele da hiena como o senador republicano o faz neste momento.
 
A imagem veio nítida quando li, ontem, o tal do "discurso da virada", em que McCain pretendia apresentar um plano econômico mas no qual acabou, outra vez, reclamando das pesquisas, da mídia, da crise, da vida injusta oh-dia-oh-céus-oh-azar.
 
Um trecho diz: "Estes são tempos difíceis, meu amigo. Nossa economia está em crise. Os mercados financeiros estão ruindo. O crédito está secando. Suas economias estão em perigo, e suas aposentadorias, em risco. Os empregos estão desaparecendo. O custo do seguro-saúde, da faculdade dos seus filhos, da gasolina e do supermercado sobe sem parar, enquanto seu bem mais importante, sua casa, perde valor todos os dias".
 
Sério, eu quase chorei. Imagine a platéia. 
 
Claro, pesa sobre os ombros de McCain o fato de ter admitido a crise tardiamente. Pesam ainda pesquisas que colocam seu rival como o mais apto, segundo o eleitorado, a tratar dos problemas financeiros do país. Pesam as críticas vindas de dentro e de fora do partido de que sua campanha está em desatino, sem saber qual a melhor mensagem a passar.
 
Mas para um político, nesta altura da campanha, tamanho pessimismo pode ser fatal.
 
Com o cabeça-de-chapa tão desanimado e a campanha dando voltas para saber o que dizer, quem vem passando a mensagem é Sarah Palin, muito mais vigorosa e empolgante. O problema é que Palin, animada que seja, faz duas coisas: atacar o caráter de Barack Obama, muitas vezes com mentiras, e dar respostas erradas ou imprecisas sobre as questões relevantes, o que já vem fazendo os republicanos perderem pontos, segundo pesquisas. (Há hoje, aliás, dois bons textos sobre isso, um no Politico e um no "New York Times".) Nada muito atraente para o eleitor independente.
 
McCain precisa reagir. Ainda que as pesquisas mostrem o avanço do democrata e que o atual ocupante (republicano) da Casa Branca seja um repelente de votos, por muitas medidas ainda é cedo para dar a campanha como perdida.
 
A fidelização partidária é altíssima nos Estados Unidos e racha o país mais ou menos ao meio. Muita gente vota no Partido Republicano e pronto, não importa quem seja o candidato. Outros tantos não se sentem seguros o suficiente para votar em Obama, não importa quanto preparo ele demonstre em discursos e debates. E isso para ficar só nos argumentos mais palpáveis (há a imprecisão das pesquisas; há o risco de o racismo latente distorcê-las... e a lista segue).
 
Se Hardy Har-Har baixar de vez, aí, my friend, danou-se.
 

Escrito por Luciana Coelho às 18h08

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Obama leva Colorado

Obama leva Colorado

Depois da Flórida, foi a vez do Colorado de ir para a coluna de Estados que pendem para o lado de Barack Obama, segundo a média de quatro pesquisas locais agregadas pelo Real Clear Politics. Em três dos quatro levantamentos, realizados neste mês, Obama aparece com margem de seis ou nove pontos. Em um, feito ainda no fim de setembro, está empatado com McCain.

Assim, a conta na projeção que o site faz para o Colégio Eleitoral, onde são necessários 270 votos para ser eleito presidente dos EUA, sobe para 313 para o senador democrata:

Barack Obama - 313 (238 "sólidos" e 75 "pendentes")

John McCain - 158 (140 "sólidos" e 18 "pendentes")

Indefinidos - 67

Na média das pesquisas de intenção de voto compilada entre o dia 6 e ontem, Obama mantém vantagem superior a sete pontos:

Obama - 49,9%

McCain - 42,6%

Por curiosidade, só: no site de apostas Intrade, diminui dia a dia os que apostam em uma vitória republicana: 77,8% colocam seu dinheiro em Obama; 22,2%, em McCain.

Escrito por Luciana Coelho às 15h40

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McCain e os Comícios

McCain e os Comícios

O senador John McCain defendeu hoje em entrevista na CNN o público que freqüenta seus comícios, que vem lançando gritos esporádicos de "matem-no" e "terrorista" contra Barack Obama. Após dias de silêncio, McCain começou a rejeitar os comentários mais agressivos, mas a imprensa continua repetindo que os eventos se tornaram radicais e perigosos.

Para o senador, há alguns elementos fora do controle, mas "sugerir que a vasta maioria das pessoas que vai a meus comícios é qualquer coisa a não ser patriótica é insultante, e não vou aceitar esse insulto".

"Também ouvi coisas contra mim em comícios democratas (...) e repudiei todos os comentários sobre o senador Obama que senti que foram inapropriados ou injustos", completou.

McCain aproveitou ainda para reclamar da falta de desculpas da chapa democrata por causa das acusações do senador John Lewis. O senador, com história de ativismo em direitos civis, comparou a situação do republicano à do governador segregacionista do Alabama George Wallace (que governou o Estado nos mandatos de 1963-1967, 1971-1979 e 1983-1987).

Lewis escreveu que Wallace "nunca jogou uma bomba, mas (...) criou um clima encorajador a ataques terríveis contra americanos inocentes". "Por causa da atmosfera de ódio [de Wallace], quatro garotinhas foram mortas em um domingo de manhã quando uma igreja foi bombardeada em Birmingham, Alabama."

"O senador John Lewis, a quem eu admiro, disse que há uma ligação entre mim, a governadora Palin e atos de racismo e segregacionismo. É inaceitável. Obama não repudiou esse comentário", rebateu McCain.

A CNN não perdeu a oportunidade de comentar a irritação incomum de McCain durante a entrevista.

Escrito por Andrea Murta às 22h25

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Enquanto isso, na Flórida...

Enquanto isso, na Flórida...

Enquanto McCain resmunga por causa dos resultados das pesquisas deixando o bonde da crise econômica passar, o Real Clear Politics acaba de atualizar o site com a média de quatro levantamentos na Flórida. Obama abriu cinco pontos de vantagem no Estado-pêndulo, o que o levou para a coluna daqueles que "pendem a Obama".

Assim, a contagem do democrata na projeção que o site faz para o Colégio Eleitoral bateu nos 304 votos, contra 158 de John McCain (são precisos 270 paravencer). Outros 76 estão indefinidos.

A Flórida é um Estado em que Obama sempre encontrou dificuldades. Votou em Bush em 2004, foi palco da confusão da recontagem em 2000 e,  nas primárias partidárias deste ano, embora seus votos não tenham valido por avançar o calendário de prévias acordado, se inclinava para Hillary.

Um dos motivos, dizem alguns analistas, é a resistência da comunidade judaica de idade mais avançada em votar no candidato democrata. (Aliás, a comediante Sarah Silverman lançou um vídeo a respeito, pedindo a todos os jovens judeus fossem ao Estado convencer seus avós a votarem.)

Por outro lado, é também um dos mais atingidos pela crise hipotecária. E o democrata vai bem entre o eleitorado que lista o armagedon financeiro como sua prioridade eleitoral.

Escrito por Luciana Coelho às 21h23

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O genro de Palin

O genro de Palin

Nada de rifle. O adolescente Levi Johnston, fututo genro de Sarah Palin, diz que vai se casar com Bristol Palin, 17, por livre e espontânea vontade.

Ok, ninguém mais quer saber sobre a família da governadora do Alasca. Ou não.

Bom, se alguém estiver curioso, o jogador de hóquei amador, que largou o último ano do ensino médio para trabalhar e ajudar no sustento do bebê do casal, deu uma entrevista para a Associated Press, reproduzida pelo "Huffington Post". Aqui.

Escrito por Luciana Coelho às 19h51

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22 dias

22 dias

A vantagem de Barack Obama sobre John McCain parece estar se consolidando, embora seja sempre conveniente lembrar que as pesquisas nos Estados Unidos não são 100% confiáveis dada a peculiaridade do sistema eleitoral, a não-obriogatoriedade do voto e, segundo alguns especialistas, racismo latente entre parte do eleitorado.

No pior dos resultados para ele, o democrata aparece com vantagem de 4 pontos (C-Span/Reuters/Zogby); no melhor, de 11 (Newsweek). Assim, a média das 11 pesquisas compiladas pelo Real Clear Politics entre dia 3 e ontem bate em 6,8 pontos a favor de Obama.

Barack Obama - 49,8%

John McCain - 43%

A projeção para o Colégio Eleitoral, onde a eleição ocorre de fato, ainda se mantém. São necessários 270 votos ali para vencer. Últimas mudanças: Dakota do Norte passou de "consistente" a favor de McCain para "tendência", e Minnesota fez o mesmo movimento em relação a Obama.

Obama - 277 (211 "sólidos"/ 66 "tendência")

McCain - 158 (140 "sólidos"/18 "tendência")

Indefinidos -  103

Escrito por Luciana Coelho às 13h05

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A decadência do império americano

A decadência do império americano

Por dica da Sandra, incluo agora na seção mídia o artigo que a Maureen Dowd publica hoje no "New York Times" (e que já teve 365 comentários até este momento em que escrevo, meio-dia em Washington e Nova York).

Dowd se volta "para a antiguidade" e comenta, em "latinglês", como Roma decaiu por viver além de seus próprios meios. "Enquanto o castelo de areia de nossa economia é levado pela maré de dívidas e apostas ruins, esta sociedade auto-indulgente se inclina ao estoicismo _mesmo a falida Islândia [que teve que apelar para empréstimo russo depois de apostar demais na liberalização financeira para alavancar sua economia] nos dá de ombros e se volta a uma superpotência solvente. Vamos precisar de mais do que infusões constantes de ações, Starbucks e botox", ironiza a colunista.

Aproveito e chamo atenção para o artigo de Frank Rich, no mesmo jornal. O colunista dominical do jornalão americano diz que desconfia da sinceridade de McCain quando pediu "respeito" a Obama diante das agressões, por enquanto verbais, da base republicana mais radicalizada. Ele acha que pedir respeito é pouco depois do "ódio que McCain e principalmente Palin instigaram" ao longo da última semana.

"Obama está sendo descrito como um matador em potencial e um cúmplice de tentativas de assassinato no passado. 'O amigo de Barack Obama tentou matar minha família', dizia uma nota de imprensa distribuída pela campanha de McCain na semana passada para lembrar um incidente envolvendo o Weather Underground em 1970, quando Obama tinha 8 anos", escreve Rich, para concluir: "Todos sabemos qual punição se aplica ao crime de assassinato, ou mesmo intenção de assassinato, se a segurança da América pós 11 de Setembro estiver em jogo. Todos sabemos como autodenominados `patriotas`sempre justificam fazer justiça com as próprias mãos".

Aliás, o "New York Times" traz também reportagem que discute o tal "efeito Bradley" e sua validade ou não na disputa deste ano. O efeito Bradley, para quem não acompanha o blog, recomenda tirar 7 pontos das intenções de voto em Obama, por conta de um suposto racismo não declarado.

Ainda de interessante na mídia hoje: no "Times" de Londres, David Owen, que foi ministro das Relações Exteriores britânico nos anos 70, comenta que um ataque de Israel ao Irã pode ser a "surpresa de outubro" na eleição americana _lembram do artigo do Charlie Cook ontem, dizendo que com a volta do foco para a segurança nacional McCain poderia se recuperar?  

E no blog Politico.com, Alexander Burns fala do escândalo da Acorn, uma ONG que promove o registro eleitoral com a qual Obama já trabalhou. A ONG agora está sendo acusada de fraude nos registros em Estados-chave, e a campanha de McCain vem explorando o caso.

 

 

 

Escrito por Claudia Antunes às 13h31

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Guerras culturais, a entrevista

Guerras culturais, a entrevista

Para os leitores que comentaram o post sobre guerras culturais, em sua nova versão elite x autênticos, vai abaixo entrevista sensacional que a Andrea Murta, correspondente da Folha em Nova York e uma das colaboradoras do blog, publica hoje no jornal.

 

"Os "rednecks" têm tanta raiva que não sabem como expressar"

DE NOVA YORK

Nos EUA, "redneck" é a palavra pejorativa para a classe média baixa branca conservadora e interiorana. Mas Joe Bageant, 62, autor de "Deer Hunting with Jesus: Dispatches from America's Class War" (Caçando Veados com Jesus: Relatos da Guerra de Classes na América, 2007), não se ofende: morador de Winchester, Virginia, cidade de 26 mil habitantes, faz questão de se incluir no grupo. Autodeclarado porta-voz da classe, o ex-jornalista Bageant conta que "os "rednecks" têm uma raiva que não sabem onde colocar" e são manipulados pelos republicanos. Mas ele também critica os democratas, que ficam "sentados em Manhattan pensando em vez de ajudar". Em conversa com a Folha, ele explica o apelo da ignorância de Sarah Palin e diz porque vai votar em Barack Obama. Leia os principais trechos.

 

FOLHA - Os "rednecks" estão bem representados nesta eleição?
JOE BAGEANT
- Nunca estamos bem representados na política. Às vezes há uma tentativa de associação, como com Sarah Palin, mas é bobagem. Os "rednecks" são pouco educados, muito patrióticos e facilmente manipulados. É gente negligenciada, que perdeu casa, emprego, não tem seguro-saúde e com quem ninguém se importa, a não ser em ano eleitoral.

FOLHA - Mas Palin tem apelo entre os trabalhadores...
JOE BAGEANT
- Sim, porque é tão superficial quanto eles. Estão cheios de problemas e só vêem advogados de Harvard na política. Agora vêem uma Sarah Palin, que caça alces, e ficam mexidos. Ela só tirou o passaporte no ano passado? O povo aqui nunca tirou! Fazem troça dela, e o pessoal aqui pensa: "Esses esnobes estão tirando uma com a minha cara, porque eu também caço e vou à igreja". No negócio de perpetuar o mito da liberdade, é também perpetuado o mito de que a sabedoria do povo é sublime e perfeita. Só que Sarah Palin é uma fraude -não ela pessoalmente, mas o jogo que ela joga. Não importa quem ganhe, não vai fazer diferença para os burros de carga aqui. Eu não conheço ninguém que continua falando sobre Palin. A vasta maioria aqui não pensa em política, age por reflexo. No máximo, querem a parte da fofoca.

FOLHA - O que é preciso para conquistar o voto de um "redneck"?
BAGEANT
- Simplificar a explicação para tudo funciona. Apelar ao patriotismo também. Os democratas preferem sentar em Manhattan e Washington com seus estrategistas, imaginando o que fazer, em vez de vir aqui ter contato com as raízes. Os republicanos não perderam o contato. Todo pequeno negócio em toda cidadezinha tem um republicano na chefia.

FOLHA - O que o Partido Republicano faz para os "rednecks"?
BAGEANT
- O Partido Republicano é inteligente o suficiente para ver o que a América se tornou. A América é duas coisas: um negócio e um vendedor empurrando coisas para o resto do mundo. Metade do país é totalmente devota dos republicanos, e a outra metade não os suporta. Por isso a eleição é tão disputada: uma guerra pela alma da América acontecendo.

FOLHA - Há prioridade "redneck"?
BAGEANT
- Os "rednecks" não têm prioridades. Eles nem acreditam em política. Quando vai chegando a eleição, há a impressão de fervor emocional, mas é porque a mídia escuta os líderes conservadores na TV. É por isso que acham que o desafio de Obama é vencer o racismo. O problema maior não é esse. Aqui na Virgínia, o problema é que Obama quer fortalecer a extração de carvão, e isso para o povão significa o fim das montanhas, que eles amam. Os "rednecks" não entendem nada do discurso político, e como ninguém diz para eles que reformar a saúde significa que seus filhos não terão dentes podres, acham que isso não tem nada a ver com sua vida.

FOLHA - Como o sr. vê a disputa entre Obama e McCain?
BAGEANT
- Para os brancos das áreas rurais, todo o raciocínio intelectual é feito de coisas que soam corretas. Se alguém vem e diz "este cara [McCain] é um herói de guerra, e este cara [Obama] tem Hussein no nome", as pessoas acreditam. Os republicanos estão aqui dizendo isso há mais de um ano.

FOLHA - Em quem o sr. votará?
BAGEANT
- Não gosto nem de republicanos nem de democratas. Vou votar em Obama, mas é uma péssima escolha. Votarei nele porque não quero ter nada a ver com a morte de bebês iraquianos. Mas não me engano.

FOLHA - Por que os políticos deviam temer os "rednecks"?
BAGEANT
- Os "rednecks" têm uma raiva que não conseguem expressar, pois não sabem colocar em palavras, não têm vocabulário. Aí os republicanos vêm e dizem a eles o que fazer. Os "rednecks" são manipulados para pensar que são livres e para achar que tudo é culpa deles.
Sempre houve uma subclasse nos EUA, e ela não pára de crescer. As classes educadas há três gerações torcem o nariz para os "rednecks". Em vez de ajudar a resgatar seus irmãos, ficaram felizes por subir na vida e deixar o resto na ignorância. Mas uma hora os "rednecks" vão pegá-los. Estão em todos os lugares, ignorantes e violentos. E votam. É apavorante. Se não fossem 50 anos de negligência, as coisas não estariam assim.

 

Escrito por Claudia Antunes às 12h51

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O blog Folha na Sucessão de Bush coloca uma lupa na eleição presidencial nos EUA e magnifica a cobertura da Folha. Com os repórteres Sérgio Dávila, Fernando Rodrigues, Daniel Bergamasco e Andrea Murta em campo e os comentários da editora de Mundo da Folha, Claudia Antunes, e da editora-adjunta, Luciana Coelho, traz bastidores, discussões e curiosidades que ajudam a explicar este momento de transição na história americana.

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