Folha na Sucessão de Bush
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Dois artigos interessantes

Dois artigos interessantes

Para quem acabou de ver os números das pesquisas de hoje, vale a pena ler o artigo de Charlie Cook, que é o responsável há anos pelo Cook Political Report, uma das fontes mais confiáveis nos Estados Unidos quanto se trata de cálculo eleitoral. Cook evita cravar a vitória de Barack Obama, embora afirme que a campanha se encaminha nessa direção.

Para ele, uma performance incrivelmente melhor no debate da última quarta-feira poderia ter ajudado McCain a recuperar espaço, o que não aconteceu. Enquanto o foco da preocupação dos americanos for a economia, prevê, o democrata será favorecido. Agora, o republicano precisa "de algo grande para mudar a dinâmica, algo maior do que uma propaganda agressiva, um desempenho forte em debate (o próximo e último é na quarta-feira) ou uma mancada de Obama". Se o eleitorado continuar ligado na crise, diz Cook, "essa disputa logo estará fora do alcance de McCain. Se a atenção se voltar para a segurança nacional na próxima semana ou um pouco depois, ele ainda pode se recuperar".

A título de curiosidade, outro artigo de hoje é de Christopher Buckley, filho de um dos principais publicistas do conservadorismo americano, William F. Buckley, fundador da "National Review" e que morreu no primeiro semestre deste ano. "Desculpe, papai, eu vou votar no Obama" é o título do artigo de Buckley filho, que se define como um libertário de direita _ conservador na economia, favorável à não-intervenção do Estado e a governos pequenos, e liberal nos costumes.

Christopher diz que torceu para McCain até ele se tornar um homem que define como "irrascível e incoerente" e vê no democrata um "temperamento de primeira classe". "Um presidente Obama certamente vai entender que políticas esquerdistas tradicionais não vão nos tirar do buraco em que nos metemos", escreve. "Ele é o que precisamos neste momento histórico."

O filho de William F. Buckley é colunista da "National Review" fundada pelo pai, mas preferiu publicar sua declaração de voto em outro veículo, a revista eletrônica satírica e conservadora "The Daily Beast". Diz ele que não quis ter o mesmo destino da colega de revista Kathleen Parker, que publicou artigo contra a escolha de Sarah Palin para vice. Segundo Christopher, os leitores da "Review" enviaram a Parker 12 mil e-mails furiosos e praguejantes.

Escrito por Claudia Antunes às 15h50

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Vantagem de Obama passa de 7 pontos

Vantagem de Obama passa de 7 pontos

Pela primeira vez desde que o Real Clear Politics passou a calcular a média das pesquisas, a vantagem de Obama passa hoje de 7 pontos _é agora de 7,9. Para os partidários do democrata que advertem para o chamado "efeito Bradley", segundo o qual deveriam ser subtraídos sete pontos das intenções de voto em Obama por conta do racismo enrustido, essa é uma boa notícia. A média de hoje inclui nove pesquisas, quatro delas concluídas ontem. A maior vantagem do democrata é no tracking da Hotline, 10 pontos; a menor é na pesquisa da Reuters/Zogby, 4 pontos.

Barack Obama - 49,9%

John McCain - 42,3%

No Colégio Eleitoral, o quadro não foi alterado.

Barack Obama - 277 votos, dos quais 211 sólidos e 66 de tendência

John McCain - 158 votos, dos quais 143 sólidos e 15 de tendência

Indefinidos - 103

Lembrando que são necessários 270 votos para vencer no Colégio Eleitoral.

Escrito por Claudia Antunes às 15h23

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McCain pede moderação

É isso mesmo. O candidato republicano acaba de pedir um tratamento "respeitoso" a Obama num encontro com eleitores republicanos em Lakeville, no Estado de Minnesota. Tentaram vaiá-lo, mas ele segurou a onda.

O episódio foi contado primeiro pelos repórteres da agência Associated Press, e pode ser conferido no vídeo abaixo. Depois que eleitores da platéia se levantaram e pediram "uma verdadeira luta", pressionando McCain a ser ainda mais agressivo com o democrata, o republicano interrompeu e disse: "Se vocês querem uma luta, vamos lutar. Mas vamos ser respeitosos. Eu admiro o senador Obama e sua trajetória". Aí veio a vaia, e McCain cortou: "Não, não. Quero que todos sejam respeitosos. É assim que se deve fazer na política americana".

Depois, numa cena que não aparece no vídeo, uma eleitora disse a McCain que tinha medo de que Obama chegasse à Presidência "porque ele é árabe". O republicano balançou a cabeça: "Não, não. Ele é uma pessoa decente, um homem de família com quem eu tenho divergências políticas" (estou descontando o fato óbvio de que não há nenhuma contradição entre ser árabe e ser decente ou homem de família). McCain então completou: "uma pessoa da qual vocês não têm que ter pavor como presidente dos Estados Unidos".

O lampejo de sensatez aconteceu depois de muitas críticas à passidade de McCain diante dos slogans exaltados de seu público. E o que deve ter feito o senador agir ontem foi que elas não partiram só de blogueiros democratas, mas também de conservadores sensatos. Um deles foi David Gergen, na minha opinião um dos melhores comentaristas políticos da CNN. "Tem uma espécie de raiva correndo solta por aí que realmente pode levar à violência", advertiu Gergen ontem à noite.

Na campanha de TV, os comerciais republicanos ainda não mudaram de tom. Hoje foi lançado mais um sobre a ligação Obama-Ayers e que também, esticando demais a interpretação da realidade, culpa os democratas pela crise econômica. O argumento _de que os democratas incentivaram as empresas de crédito imobiliário recém-falidas Fannie Mae e Freddie Mac a emprestar dinheiro para gente de baixa renda_ tem sido repetido pelos eleitores republicanos mais fervorosos.

Aliás, dá pena de McCain quando ele atribui o fervor do público não a sua própria trajetória, mas a Sarah Palin, "que levantou muita gente nesta campanha". Dá pena também da platéia, da mulher, idosa, com medo "do árabe".  

Abaixo, o vídeo

Escrito por Claudia Antunes às 22h14

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Política do ódio

Política do ódio

 

Circula hoje na internet vídeo de comício de McCain e Palin ontem, em Wisconsin, com uma platéia raivosa dizendo que Obama é socialista e pedindo o fim dele. Postamos ontem sobre o transbordamento dessa agressividade, em nível inédito nas corridas eleitorais recentes _sobretudo porque McCain e Palin nada fazem para detê-la.

A impressão que dá é que, para algumas pessoas, a diferença entre os dois candidatos deixou de ser uma questão política ou ideológica. Virou ódio, alimentado por exacerbações e distorções. Medo do socialismo? Ora, a injeção de ânimo no mercado financeiro veio de um governo republicano, e precisou ser aplicada por conta sobretudo de anos e anos de lambança desreguladora e promoção do consumo irrefreado com base em um mercado de crédito que girava no vazio.

Abaixo, a tradução de um pequeno trecho...

Espectador: Estou com raiva, de verdade. E o que vai deixar vocês surpresos é que não é com a economia. É com os socialistas tomando o país (aplausos). Sentem-se, não acabei. Me deixem terminar.

McCain: Desculpe (risos).

Espectador: Obrigado. É importante que neste país, hoje, ver o que estamos perdendo e o que está acontecendo de fato. Quando você tem um Obama, uma Pelosi e o resto da gangue administrando o país, é hora de examinar sia cabeça; é hora de vocês dois [McCain e Palin] nos representarem, e nós estamos loucos de raiva! Vão lá e peguem eles!

McCain: Bom, acho que captei a mensagem. Posso dizer que o senhor está correto.

Escrito por Luciana Coelho às 17h55

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A guerra cultural

A guerra cultural

Muitos artigos da mídia americana hoje teorizam sobre a chamada "guerra cultural" entre conservadores e progressistas americanos e o tamanho do seu impacto nas eleições deste ano, no novo contexto criado pela crise financeira que agora se espalha pela economia real, fazendo pó de certezas liberais (no sentido europeu, usado também aqui no Brasil) que haviam sido consagradas nos últimos 30 anos da "grande era conservadora".

São as aflições econômicas dos americanos que, concordam todos, estão proporcionando ao candidato democrata a vantagem que ele detém nas pesquisas há duas semanas. Mas a campanha de McCain, sob o slogan "quem é Barack Obama?", tenta reatualizar o confronto cultural não sob a forma de "guerra religiosa" que ele assumiu nas duas eleições de George W. Bush, em 2000 e 2004, mas sob a forma de uma "luta de classes" entre os americanos "autênticos" e as elites, como analisa o conservador David Brooks, do "New York Times", em sua coluna de hoje.

A suposta divisão entre uma "elite liberal cosmopolita" e uma classe trabalhadora branca com menor grau de educação formal foi primeiro explorada por Richard Nixon em 1968, quando derrotou o democrata Hupert Humphrey apelando para a "maioria silenciosa", descontente com a onda de protestos e o clima de desafio às autoridades que marcou os anos 60.  Só mais tarde essa nova supremacia conservadora adquiriu os contornos mais extremistas da "maioria moral", com foco em questões religiosas e morais.

A conclusão de Brooks, pouco favorável ao Partido Republicano que sempre apoiou, é que "o que inicialmente era um desdém pelos intelectuais de esquerda se transformou em desdém por todas as pessoas de bom nível educacional". Agora, com a crise, "os republicanos estão sob ataque por ambos os lados. O partido está perdendo a classe trabalhadora por não ter desenvolvido políticas que tratem da ansiedade econômica. E perdeu as classes educadas já que disse aos membros dessa classe que não os queria".

Ainda do lado conservador, mais muito mais radical, quem ainda sustenta as bandeiras da "guerra cultural" é Charles Krauthammer, colunista do "Washington Post". Em seu artigo de hoje, ele defende a validade dos ataques às "más companhias" de Obama que estão em foco na campanha republicana. E diz que McCain errou por não ter falado antes das associações do democrata com William Ayers e o reverendo Jeremiah Wright. "Obama é um homem de temperamento e educação de primeira classe, mas seu caráter continua sendo altamente suspeito", escreve Krauthammer, para quem o "relativismo" não inocenta o democrata de não ter visto que as posições de Ayers e Wright "iam além do aceitável".

Já Peter Beinart, ex-editor da pró-democrata "New Republic" (revista que no entanto apoiou, por exemplo, a invasão do Iraque), diz em artigo na "Time" que a atualização da guerra cultural hoje se dá nos termos de quem tem medo ou não da globalização. O suposto "não-americanismo" de Obama, tal como retratado por McCain, teria por objetivo falar à classe média ansiosa com as mudanças vertiginosas na economia e com uma imigração que está mudando a cara do país tanto nas classes altas quanto nas profissões menos qualificadas. Não representando o estereótipo que o conservadorismo tradicionalmente pintou do negro americano, Obama e sua biografia exótica seriam identificados com uma nova elite econômica em que descendentes de indianos, coreanos e russos tomam o lugar de famílias Wasp (brancas, anglo-saxãs, protestantes).  

Escrito por Claudia Antunes às 16h21

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Pouca novidade

Pouca novidade

Obama mantém a dianteira no voto popular na média do Real Clear Politics, com vantagem de 6,2 pontos sobre McCain. As últimas três pesquisas incluídas na média, todas concluídas ontem, dão vantagem de entre 5 pontos (Rasmussen e Reuters/Zogby) e 7 pontos (Hotline) para o democrata. O traking do Gallup de hoje ainda não saiu. Vejam os números.

Barack Obama - 48,5%

John McCain - 43,3%

No Colégio Eleitoral, os números são os mesmos de ontem. Se a eleição fosse hoje, e as pesquisas se confirmassem (toda desconfiança

Barack Obama - 277 votos, sendo 211 sólidos e 66 de tendência

John McCain - 158 votos, sendo 143 sólidos e 15 de tendência

Indefinidos - 111

Em seis Estados-pêndulo, Obama continua na frente em cinco (Ohio, Virginia, Colorado, Flórida e Nevada), mas só na Virginia tem vantagem maior do que cinco pontos. McCain está na frente em Missouri, na média das pesquisas, com 0,4 ponto de vantagem.

Escrito por Claudia Antunes às 15h29

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Michele Obama no Jon Stewart

Michele Obama no Jon Stewart

Michele Obama deu entrevista ontem à noite para Jon Stewart, na qual comentou a conexão da família com Bill Ayers, do Weathermen, a campanha suja e o debate de terça-feira _inclusive a proposta mccanica de comprar e renegociar as dívidas hipotecárias podres.

Parte 1

Parte 2 

Escrito por Luciana Coelho às 16h26

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Obama conquista Colégio Eleitoral

Obama conquista Colégio Eleitoral

Se a eleição presidencial americana fosse hoje, ela já teria um vencedor claro. Ao menos, segundo as pesquisas de intenção de voto.

É que a Virgínia entrou na coluna de Estados que pendem para o lado de Barack Obama, com o democrata abrindo vantagem de 5,1 pontos segundo a última média de oito levantamentos compilada pelo Real Clear Politics no Estado, onde o republicana George W. Bush venceu com margem superior a oito pontos tanto em 2000 quanto em 2004.

Com isso, segundo projeção do RCP, com os 13 votos dos delegados que o Estado envia ao Colégio Eleitoral, Obama supera pela primeira vez a marca dos 270 votos necessários para se eleger nessa instância, que é onde o presidente dos EUA é escolhido de fato, em dezembro. Veja os números:

Barack Obama - 277 (221 "consistentes" e 56 "tendência")

John McCain -221 (143 "consistentes" e 20 "tendência")

Indefinidos - 98

Na média de dez pesquisas compilada pelo RCP entre o dia 1º e ontem, o democrata aparece 5,3 pontos à frente na preferência popular.

Obama - 49,1%

McCain - 43,5%

Escrito por Luciana Coelho às 14h22

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Radicalização

Radicalização

Pela segunda vez em três dias, ataques de McCain a Obama durante um comício foram interrompidos aos gritos de "socialista", "terrorista" e "mentiroso" (aliás, como se fosse tudo a mesma coisa). O padrão já tinha sido registrado na segunda-feira, quando o republicano, em discurso no Novo México, lançou o novo bordão de sua campanha: "Quem é Barack Obama?".

Agora há pouco, segundo relato da agência americana Associated Press, McCain fez comício em Bethlehem, na Pensilvânia, onde, segundo a média das pesquisas do Real Clear, o democrata está 10 pontos à frente. Ao lado da vice Sarah Palin, McCain disse: "Todos ouvimos o que ele [Obama] disse. Mas o que não está claro é o que ele fez, ou vai fazer". Foi seguido pelos tais gritos, sem mais uma vez advertir a audiência para o risco de alimentar discursos de ódio. Palin endossou: "John McCain não veio do nada. O povo americano conhece John McCain".

No mesmo comício, registra a agência, um dos apresentadores chamou Obama pelo seu nome inteiro, Barack Hussein Obama, expediente que desde o início da campanha vem sendo usado por setores republicanos para enfatizar a ascendência muçulmana de Obama, cujo avô queniano se converteu ao islã. O democrata tem o mesmo nome do pai, que era ateu. Hussein, nome comuníssimo nos países muçulmanos, vem de Hassan, que quer dizer "o bom".

  

 

Escrito por Claudia Antunes às 20h14

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27 dias

27 dias

Barack Obama segue na frente na média das dez pesquisas compiladas pelo Real Clear Politics entre dia 1 e ontem, com vantagem de 4,9 pontos. As margens vão de 1 ponto (no Hotline/FD Tracking) a 9 (Gallup).

Barack Obama - 48,9%

John McCain - 44%

Na projeção para o Colégio Eleitoral, a 27 dias da votação popular, tudo igual

Obama - 264 (206 "consistentes" e 58 "tendência")

McCain - 163 (143 "consistentes" e 20 "tendência")

Indefinidos - 111 

Escrito por Luciana Coelho às 13h51

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Obama acerta tom e vence

Obama acerta tom e vence

Depois da expectativa criada pelo clima sórdido dos últimos dias, as emoções foram poucas no debate de agora há pouco, marcado pelo clima pouco otimista da maior crise econômica nos Estados Unidos desde a Grande Depressão dos anos 30. Dá para apostar que a audiência, que deve sair hoje, foi menor do que a do confronto entre Biden e Palin, na semana passada. No blog conservador Politico.com, um comentarista postou que "vai ser o último dos debates que alguém vai assistir, my friend".

Era uma alusão à falta de novidades e uma gozação com McCain, que tratou com paternalismo condescendente os eleitores indecisos escolhidos para fazer as perguntas _chamou-os de "my friends" 22 vezes, como pode ser conferido na transcrição feita pela CNN do debate que deveria mimetizar os chamados "town hall meetings", mas não teve a espontaneidade desses encontros municipais consagrados na região da Nova Inglaterra.

Em contraste, Obama foi mais presidenciável. Sem ser brilhante, às vezes professoral demais, pelo menos parecia julgar que o público merecia respostas mais objetivas e detalhadas. Quando o debate acabou, McCain saiu rápido. Obama ficou conversando com a platéia.

O democrata levou algumas boas declarações preparadas _como quando mencionou Ted Kennedy e o sonho de chegar à Lua, ou quando disse que "nunca houve um país com economia em declínio que tenha mantido seu poderio militar". E encontrou tom certo, nem tímido nem sarcástico em excesso, para responder às provocações de McCain.

Atrás nas pesquisas há quase dez dias, o republicano foi mais agressivo desde a primeira resposta, quando se referiu à "patota" do senador rival no Congresso. Não chegou a mencionar o ex-radical William Ayers ou o pastor Jeremiah Wright, mas por vezes parecia um menino contrariado e, à medida que o tempo passava, seus maxilares ficaram mais tensos e seus dentes, mais serrados.

No conteúdo, Obama foi melhor quando falou de seus planos para estender o alcance do seguro-saúde. Mesmo sem responder diretamente à pergunta da eleitora _se tratamento médico deveria ser tratado como mercadoria_, disse que a saúde "deveria ser um direito de todo americano, num país tão rico quanto o nosso". Quando confrontado com a proposta de McCain de congelar o Orçamento, poupando apenas veteranos e parte da Defesa, respondeu: "É duro pedir a um professor que ganha US$ 30 mil ou US$ 35 mil por ano que aperte o cinto quando pessoas que ganham muito mais mantêm um estilo de vida ostensivo".

Mas McCain lançou pelo menos uma proposta nova para a crise econômica, a de que o governo compre todas as dívidas imobiliárias de americanos que estão ameaçados de perder suas casas e as renegocie pelos valores atuais dos imóveis, desvalorizados, "mesmo que saia caro". Foi a iniciativa que deve lhe valer mais pontos no debate, mesmo que ela esteja em contraste com sua defesa de menos Estado na economia, como reiterou ao atacar o democrata por ser "progressista demais": "Ele tem o histórico mais gastador do Senado americano. Quer aumentar impostos". 

O republicano, como no primeiro debate, esteve mais à vontade ao tratar de política externa, embora parecesse confiar demais no julgamento do general Petraeus _ex-comandante no Iraque, agora responsável por todo o Oriente Médio e Ásia Central_, que citou quatro vezes. Ao tratar do tema, levou uma boa frase preparada para questionar a experiência de Obama _"não temos tempo para treinamento no cargo". Mas o democrata também tinha treinado bem para questionar o discernimento do adversário: "Invadir o Iraque foi a avaliação de McCain, que ficou puxando a torcida do presidente Bush".

 

 

  

Escrito por Claudia Antunes às 02h51

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Avanço entre independentes

Avanço entre independentes

E Obama perdeu alguns décimos de ponto da vantagem sobre McCain, segundo a média de pesquisas compilada entre dia 1º e ontem pelo Real Clear Politics. Agora o democrata está com 5,5 pontos. Mas ele segue avançando em Estados-pêndulo e eleitores sem definição partidária, que podem decidir a votação em novembro, conforme mostram levantamentos do "Washington Post" e da CNN.

Veja a média do RCP:

Barack Obama - 49,6%

John McCain - 44,1%

E na projeção para o Colégio Eleitoral, onde são precisos 270 votos para se eleger:

Obama - 264 (206 "consistentes" e 58 "tendência")

McCain - 163 (143 "consistentes" e 20 "tendência"_ a Geórgia, antes "consistente", entrou com seus 15 votos nesta coluna)

Indefinidos -111

Escrito por Luciana Coelho às 21h01

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Prévia do debate

Prévia do debate

Se alguém quiser uma prévia do que deve ser o tom de John McCain no debate desta noite, é interessante assistir ao discurso que ele fez ontem em evento de campanha, questionando "quem é Obama". No final, alguém berra da platéia: "terrorista".

Segundo os estrategistas do republicano, ele vai tentar tirar o foco da crise econômica que o país enfrenta _e da qual, segundo pesquisas, Obama é visto como mais apto para tirar o país_ e passá-lo para a biografia do rival. "Eu estou aqui há anos, vocês sabem quais são minhas qualidades e meus defeitos", diz McCain, acrescentando que, para quem tem duas autobiografias, Obama não é exatamente um "livro aberto". Mas a questão não é só despertar a dúvida, mas infundir o medo. Haja vista o comentário saído de sua platéia.

Escrito por Luciana Coelho às 20h48

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Sai primeira crítica de "W"

 

A Variety acaba de publicar a primeira crítica de um grande órgão de imprensa a W, cinebiografia do atual presidente norte-americano dirigida por Oliver Stone, que estréia aqui nos EUA em 17 de outubro e ainda não tem data no Brasil. O filme é "inusual e inescapavelmente interessante", mas parece uma "versão bruta" do que poderia vir a ser um remake em 10 ou 15 anos. A terceira obra do diretor a retratar um presidente contemporâneo (depois de "JFK" e "Nixon"), o longa traz "uma visão clara e plausível da formação psicológica do presidente e, considerando a reputação de Stone e a grande impopularidade de Bush, um tratamento de acontecimentos políticos recentes relativamente justo e contido." Assim como a presidência de Bush, brinca a revista, ao filme falta um bom final.

Josh Brolin como ele, o W

Escrito por Sérgio Dávila às 20h04

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Em Nashville, Sarah Barracuda vira Sarah Piranha

Belmont Boulevard, rua principal da universidade que sedia o segundo debate presidencial hoje à noite, em Nashville, no Tennessee, George W. Bush, Bill Clinton e Sarah Palin fazem sucesso. Não os originais, mas os atores-comediantes do site PresidentialImpersonators.com. O grupo vive de animar festas, jantares, eventos e trabalhar em comerciais e tenta ganhar divulgação de graça com as atenções do mundo inteiro voltadas para cá.

A atriz que interpreta Sarah Palin, que era conhecida como Sarah Barracuda na adolescência, chama-se Patsy Gilbert e adotou o apelido "Sarah Piranha". Sério. Como a candidata a vice republicana, ela também tem um filho com Síndrome de Down, trabalhou em jornalismo esportivo na TV, se define como uma "soccer mom" e diz que seu marido é parecido com o "First Dude" Todd Palin. Na opinião desse blogueiro, Tina Fey é mais parecida...

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(Em tempo: em inglês, piranha não tem o mesmo sentido pejorativo de em português do Brasil.)

Escrito por Sérgio Dávila às 19h32

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Debate (pra valer)

Coloque a Budweiser na geladeira, separe o cheesecake e frite seu balde de asinhas de frango. Hoje é noite de debate entre Obama e McCain, a partir das 22h (horário de Brasília). O site da CNN transmite ao vivo.



Depois de um primeiro debate de dar sono, a expectativa é de um encontro que traduza a temperatura alta de ataques que tem se constatado na campanha, a menos de um mês para as eleições.

Escrito por Daniel Bergamasco às 18h18

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Sarah Palin não é uma fraude

Sarah Palin não é uma fraude

A maior parte dos americanos de Nova York odeia Sarah Palin e se pergunta como os outros Estados cogitam eleger uma mulher "tão burra" para a Presidência. Mas os nova-iorquinos admitem também que não entendem os Estados Unidos, ou talvez entendam pouco mais que um estrangeiro, que, ao ver o óbvio despreparo da vice de McCain em entrevistas carregadas de idéias desconexas, não conseguem entender como ninguém percebe que ela não está preparada.

A questão é que os americanos não estão se enganando. Se elegerem Palin como vice, o farão cientes do que estão levando para casa. Assim como elegeram George W. Bush duas vezes e assim como sabem o quanto de gordura trans está contido em uma rosquinha do Dunkin Donuts, os americanos estão cientes de seus prós e contras. Não é preciso ler o "The New York Times" para isso, porque Palin é pop, suas credenciais já foram viradas do avesso por aqui, dos telejornais de TV aberta à revista "People".

O fato é que os defeitos de Palin não são defeitos para todo mundo. Ela só tirou passaporte no ano passado? E quantos americanos não têm passaporte por pura falta de interesse? Afinal, para que Paris quando se tem Los Angeles? Para que Egito quando se tem Las Vegas? Para que Brasil quando se tem West Palm Beach?

Ela não sabe nada de política internacional? Será que isso faz diferença para um povo que, em sua maioria, acredita que o mundo tem antipatia pelos EUA só por culpa de Bush?

E os "escândalos" envolvendo Palin? Ela perseguiu no governo do Alasca seu ex-cunhado, que travava uma separação complicada com sua irmã caçula. Aqui em Nova York, isso é tido como gestão irresponsável, mas para muitos americanos a defesa da família só reforça seu caráter.

Palin é autêntica. Finge entender de política internacional, mas finge tão mal que parece que só está fingindo para as elites e a mídia progressista, não para o "americano médio". Sua vida real é, de fato, "real": ela gosta de caçar, tem no escritório tapete de urso (daqueles de desenho animado), tem um filho com síndrome de Down, colocou o filho mais velho para lutar no Oriente Médio, casará a filha grávida de 17 anos e ainda tem uma filhinha linda, de uns 5 anos, que foi flagrada ao vivo passando cuspe no cabelo do irmãozinho caçula durante o discurso da mãe na Convenção Republicana.

Palin é que é mulher de verdade. Barack Obama é de mentira. Ao menos para quem está no interior de Idaho, por exemplo, e se pergunta: quem é esse cara magro (magro?), negro (negro?), estudado em Harvard (Harvard?), que a gente nunca viu por aqui? E que promessa é essa de "mudança"? É para melhor ou para pior? As coisas não estão claras.

Ouvindo simpatizantes de Palin, fico sempre com a impressão de que eles pagarão por ela exatamente o que acreditam valer, enquanto "comprar" Obama envolve, em geral, argumentos mais abstratos, que muitas vezes não coincidem com as propostas do candidato. Para citar um exemplo: desde quando Obama é o candidato da paz? Sob sua gestão, a América não abrirá mão de seu poder militarista. Nem do envolvimento da Casa Branca com lobistas. Nem da presença de dogmas da fé na condução do governo.


Os americanos são freqüentemente comparados aos personagens dos Simpsons e tentei advinhar quais seriam os votos da família de Springfield. Meu palpite: Lisa Simpson certamente votaria em Obama. Marge Simpson, sem dúvida, em Sarah Palin. Já o Homer, creio eu, ficaria bastante dividido entre a "real conservadora" e a "mudança pop". Atualização: Luciana Coelho me lembra que Homer decidiu votar em Obama; veja vídeo.

*
Ah, sim, não citei acima as credenciais de McCain, de quem Palin é apenas vice. É que a disputa eleitoral americana, em mais uma fase surpreendente, faz com que a eleição tenha se tornado uma batalha entre a governadora do Alasca e Obama. Mas isso é assunto para outro post.


Sarah Palin com a blusa da Heloísa Helena

Escrito por Daniel Bergamasco às 13h05

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Palin x Biden, melhor que os originais

Palin x Biden, melhor que os originais

Tina Fey voltou a encarnar Sarah Palin neste fim de semana no Saturday Night Live, desta vez no debate com Joe Biden, mediado por Gwen Ifill _aliás, a sátira não poupa nem a jornalista (encarnada por Queen Latifah), criticada por lançar um livro sobre cor e política que fala sobre Barack Obama. Além da falta de nexo dentro das respostas da governadora do Alasca e de seu total desdém em relação às perguntas que lhe eram feitas, Fey também encampa o charminho que a Barracuda joga para cima dos eleitores toda vez que acuada.

Para quem quiser ler mais sobre os erros de sintaxe de Palin, recomendo a coluna de hoje de Maureen Dowd.

 

Escrito por Luciana Coelho às 14h52

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Seis pontos para Obama

Seis pontos para Obama

A média de pesquisas compilada pelo Real Clear Politics coloca Barack Obama à frente com seis pontos de vantagem, percentual que vem se dilatando. Os números foram aglutinados entre dia 26 de setembro e ontem e compreendem 12 levantamentos _todos vêem o democrata na frente, mas as vantagens variam de 3 a 9 pontos.

Barack Obama - 49,3%

John McCain -43,3%

Já na projeção para o Colégio Eleitoral, onde os candidatos são de fato eleitos, Obama continua com o mesmo número de votos: 264, menos do que os 270 necessários para se tornar presidente.

Obama - 264 (192 votos "sólidos" e 72 "tendência")

McCain - 163 (158 votos "sólidos" e 5 "tendência")

Indefinidos - 111

A última mudança é que a Pensilvânia, um Estado-pêndulo que votou em John Kerry em 2004, tornou-se "consistentemente" Obama, segundo o RCP.

 

 

Escrito por Luciana Coelho às 13h37

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O blog Folha na Sucessão de Bush coloca uma lupa na eleição presidencial nos EUA e magnifica a cobertura da Folha. Com os repórteres Sérgio Dávila, Fernando Rodrigues, Daniel Bergamasco e Andrea Murta em campo e os comentários da editora de Mundo da Folha, Claudia Antunes, e da editora-adjunta, Luciana Coelho, traz bastidores, discussões e curiosidades que ajudam a explicar este momento de transição na história americana.

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