O candidato democrata mantém a dianteira na média das pesquisas compiladas pelo Real Clear Politics. Hoje são 11 pesquisas compondo a média, e Obama está na frente em todas. Sua maior vantagem, de 9 pontos, é na pesquisa da CBS, concluída no dia 30. A menor, de 4 pontos, aparece no levantamento da ABC/Washington Post, concluído no dia 29. No trakking diário do Gallup, de ontem, sua vantagem é de 8 pontos.
Barack Obama - 49,3%
John McCain - 43,4%
Nas médias para a eleição indireta, no Colégio Eleitoral, não houve alteração em relação a ontem.
Obama - 264 votos, dos quais 171 considerados "sólidos"
McCain - 163 votos, dos quais 158 considerados "sólidos".
São necessários 270 votos para vencer no colégio. Nos chamados Estados-pêndulo, Obama vence em 5 e McCain em 1, mas as diferenças em favor de cada candidato estão todas dentro da margem de erro. A exceção é o Colorado, onde a vantagem do democrata é de 4,4 pontos hoje.
Faltam exatamente 31 dias para a eleição e, não custa lembrar, o quadro das pesquisas já mudou várias vezes.
Só mesmo o nivelamento muito por baixo das expectativas, ou um arrependimento extemporâneo de seus mais ferrenhos críticos, pode ter gerado a unanimidade de que Palin não foi assim tão mal no debate com Biden.
Por qualquer critério minimamente exigente, ela foi péssima. E não porque falou com sotaque caipira, desfilou gírias coloquiais demais ou pronunciou "nuclear" errado. Mas porque suas respostas eram tão obviamente decoradas _um pequeno número de slogans cercados por frases desconexas_, que, por diversas vezes, ela trocou a ordem dos fatores nas frases. Por exemplo, quando disse que não importava se "o aquecimento global afetava a atividade humana".
Em apuros, Palin apelava para piscadelas, sorrisos e outras coqueterias vulgares que devem ter exercido algum fascínio sobre o público masculino _a linha verde da CNN, que media as reações de eleitores independentes de Ohio do sexo masculino, subia. Mas as mulheres, representadas pela linha amarela, não se deixaram enganar tanto.
Já era o fim do debate e os telespectadores e jornalistas deviam estar cansados, mas pelo menos uma das respostas de Palin equivale às declarações incompreensíveis que ela deu a Katie Couric, da CBS.
Foi quando teve de responder sobre os poderes executivos da Vice-Presidência, que no governo Bush foram arbitrariamente ampliados por Dick Cheney. Ao fazer a pergunta, a mediadora se referiu à doutrina do "Executivo unitário", defendida por juristas ultraconservadores e abraçada pelo governo Bush, segundo a qual o presidente pode supervisionar e dirigir todas as operações do Executivo, mesmo instituições hoje independentes, como a Comissão Federal de Comércio e a SEC, reguladora dos mercados. Para os críticos, a doutrina põe em risco o sistema de pesos e contrapesos entre a Presidência e o Legislativo nos Estados Unidos.
A resposta de Palin foi pescada pela articulista Linda Hirshman, da "Nation", e mostra que, assim com não sabia o que é a "doutrina Bush" de defesa, também não fazia a mínima idéia do que falava a mediadora. E qualquer político americano que tenha acompanhado com atenção as audiências de nomeação de Samuel Alito para a Suprema Corte, em 2006, sabe que "Executivo unitário" foi um dos tópicos principais.
A tradução da resposta de Palin vai abaixo:
"Bem, nossos pais fundadores foram muito sábios lá em permitir pela Constituição bastante flexibilidade lá no escritório do vice-presidente. E vamos fazer o que for melhor para o povo americano em assumir essa posição e levar adiante uma agenda de apoio e cooperação com a agenda do presidente nessa posição. Sim, então eu concordo com ele [Cheney] em que temos bastante flexibilidade lá, e vamos fazer o que for preciso para administrar muito apropriadamente os planos que são necessários para esta nação. E é à minha experiência executiva que deve ser parcialmente atribuída minha escolha como vice de McCain, não apenas como governadora, mas antes como prefeita, como reguladora de gás e petróleo, como empresária. Serão esses anos de experiência em nível executivo que serão postos para bom uso na Casa Branca, também."
Esta é cortesia do Paul Krugman, o economista e democrata fervoroso que é colunista do "New York Times". Ele revelou que a citação de Ronald Reagan que Sarah Palin fez no final do debate _"a liberdade está sempre a apenas uma geração da extinção"_ não teve nada a ver com a defesa dos direitos civis ou da democracia.
A frase foi dita pelo ator californiano em 1965, quando fazia campanha contra o Medicare, o seguro de saúde para pobres criado pelo então presidente democrata Lyndon Johnson. Recém-convertido ao Partido Republicano, Reagan havia feito campanha para o ultraconservador Barry Goldwater na campanha presidencial de 1964 e estava a um ano de ser eleito pela primeira vez governador da Califórnia.
A campanha era patrocinada pela Associação Médica Americana e pregava que a "medicina socializada", esse estranho programa adotado na época não apenas pelo bloco socialista, mas também pelas principais democracias européias, levaria os Estados Unidos ao "totalitarismo".
O Medicare acabou passando no Congresso, mas, como sabe qualquer um que já morou nos Estados Unidos (ou viu o melhor filme de Michael Moore, "Sicko"), as associações médicas e as empresas farmacêuticas colonizaram de tal maneira o sistema que a assistência médica para pobres continua muito aquém do grau de desenvolvimento do país.
A vantagem de Obama continua a mesma na média das pesquisas, segundo o Real Clear Politics:
Barak Obama - 49,2%
John McCain - 43,4%
As mudanças mais significativas aconteceram no Colégio Eleitoral, onde Obama se aproximou dos 270 votos necessários à vitória, segundo projeções. Nos Estados-pêndulo, New Hampshire e Minnesota acabaram de entrar na coluna do democrata, e Colorado, que estava tendendo a ele, voltou a ficar indefinifo.
Obama - 264 (sendo 171 "sólidos" e 93 "tendência")
McCain - 163 (sendo 158 "sólidos" e 5 "tendência")
(Reuters) Biden e Palin se cumprimentam ao fim do confronto
Acabou o debate entre os vices. O tão aguardado confronto entre Sarah Palin e Joe Biden não deve promover mudanças significativas nas pesquisas, já que nenhum dos dois cometeu gafes que mudem o precedente histórico de que embates entre os numero 2 têm efeito perto de nulo na escolha do eleitor.
A pesquisa da CNN dá a vitória a Biden com 51%, contra 36% de Palin, números parecidos com os obtidos por Obama e McCain. Mas a republicanasaiu-se melhor do que o esperado para 84% das pessoas _o que pode alimentar as especulações de que as bobagens que ela andou falando nas últimas semanas eram na verdade uma estratégia para baixar a expectativa do público.
Palin deu duas respostas sem sentido _uma sobre aquecimento global e outra sobre proliferação nuclear_ e pareceu ensaiada em alguns momentos, ignorando a pergunta. Mas, de modo geral, saiu-se tremendamente melhor do que nas entrevistas concedidas nas últimas duas semanas. Já Biden, apesar da tendência a falar demais, conseguiu evitar parecer condescendente ou machista, maior medo dos democratas.
Os dois conseguiram empatizar com o público, e Palin realmente conecta com a câmera muito bem. Talvez ela tenha abusado das caras e bocas _as piscadelas para a câmera não são exatamente o protocolo esperado_, mas com certeza ela sabe o que o americano médio quer ouvir. Ou acha que sabe. E dá-lhe "darn", "betcha", "doggonit" e todas as gírias de garota do interior que ela pudesse usar.
O veterano Biden, por sua vez, pareceu mais senhor de si, sereno e preparado, e melhor em inverter o jogo usando as respostas da rival. Ele foi especialmente bem ao acuar Palin em uma repetição sem conteúdo de que John McCain e ela eram a mudança _momento em que despencou a aprovação dela no "focus goup" que acompanhava a transmissão pela CNN. Aliás, sobre o "focus group" da CNN, as mulheres tendiam mais para o senador democrata, e os homens, enter divididos e pendentes à governadora republicana.
Por fim, Biden acabou ganhando pontos ao dar a nota de emoção da noite, quando lembrou que a morte da mulher e da filha (em um acidente de carro) o levou a criar os filhos sozinho e quão difícil isso foi.
De modo geral, foi um debate mais interessante do que o dos cabeça-de-chapa. Palin e Biden pareciam mais à vontade do que McCain e Obama, menos da defensiva.
* * *
Abaixo, algumas frases interessantes do debate que eu e a Claudia pinçamos aqui na Redação.
"Isso para mim se chama justiça. O motor da economia americana é a classe média, são as pessoas que estão vendo essa transmissão (...) Os super-ricos não precisam de corte de impostos. Aliás, eles não pagarão nada a mais do que pagavam sob Ronald Reagan" (Biden)
"Patriótico é dizer 'governo, nem sempre você é a solução, às vezes você é o problema'" (Palin)
"Eu chamo isso de a verdadeira ponte para lugar nenhum" (Biden, sobre o plataforma de saúde de John McCain)
"Há quanto tempo eu estou nisso? Tipo cinco semanas? Então eu não fiz muitas promessas, né?" (Palin, indagada sobre quais promessas de campanha não materia)
"Eu não vou atribuir todas as atividades humanas à mudança climática [sic], mas é claro que deve ter alguma coisa que os homens fazem que afetem isso. Mas eu não quero discutir as causas, mas como lidar com isso" (Palin, sobre mudança climática)
"Se você não entende a causa, é impossível achar a solução" (Biden, retrucando)
"Em um governo Obama-Biden não haverá distinção constitucional ou jurídica a casais do mesmo sexo" (Biden)
"Eu sou tolerante e tenho uma família muito diversa, amigos muito diversos. Um governo McCain-Palin não vai proibir nenhum direito que já exista, mas eu sou contra redefinir casamento" (Palin)
"A diferença fundamental é que Obama tem datas para sair, o que John McCain se recusa a fixar" (Biden, sobre a retirada do Iraque)
"Seu plano é de rendição, e não é isso que queremos" (Palin, retrucando)
"Eu amo [John McCain], mas ele está fundamentalmente errado sobre assuntos demais" (Biden)
"Foi o general Petraeus e a Al Qaeda que mostraram que o Iraque é a frente central no combate ao terrorismo" (Palin, esquecendo que Petraeus só se tornou comandante no Iraque três anos após o início da guerra e que nunca foi encontrado indício de atuação da Al Qaeda no Iraque antes da invasão americana)
"Fico tão entusiasmada em saber que ambos gostamos de Israel, isso é uma coisa boa!" (Palin, depois de Biden dizer que ele é um aliado de Israel)
"Passa o prólogo. A questão de verdade é quão diferente um governo McCain será do de Bush" (Biden, questionando se McCain e Palin representam mudança)
"Armas nucleares seriam, claro, o fim de gente demais e partes demais do planeta" (Palin, indagada sobre quando seria Ok usar uma arma nuclear)
"O que você espera? Somos uma equipe de independentes, é claro que vamos mudar coisas" (Palin, dando uma piscadela para a platéia)
"O vice-presidente Cheney foi o vice-presidente mais perigoso que já tivemos nos EUA" (Biden, questionado sobre o papel do vice)
"John McCain nunca foi um independente nas coisas que realmente afetam a vida das pessoas" (Biden)
O debate dos candidatos a vice-presidente está chegando ao fim em alguns minutos. Breves impressões:
Domaram o democrata Joe Biden, um pouco demais. Ele sorri quando recebe pauladas da republicana Sarah Palin e responde aos ataques com ênfase textual, mas não, digamos, "vocal" e "corporal". Afinal, não se pode bater em mulher, como o orientaram os colegas democratas, preocupados com seu jeito espontâneo demais, por vezes agressivo.
Sarah Palin treinou o sorriso, e está funcionando, acho. Ela tem o carisma comum aos caipiras e não chegou a se embananar como nas entrevistas recentes. Decorou respostas, quase todas. Para as outras, levou cola. E deixou isso claro. Está responde às perguntas, especialmente as de política internacional, espiando nas anotações do púlpito, em uma situação um pouco constrangedora. Isso faz diferença para a massa de eleitores americanos? Duvido. Ela diz frases vazias, mas treinou bem a ênfase e sorriso no rosto. Se bater seu conteúdo no liquidificador, não resta um suco de Tang, mas no país da Britney Spears, isso pode não ser um problema.
Para quem quiser dar mais emoção ao debate, o Yahoo postou o Palin Bingo. Funciona assim: eles dispuseram em quatro cartelas as expressões-padrão de Palin (como aborto, reformista, Paquistão, organizador comunitário e outras coisinhas que a candidata gosta de repetir). O coringa, claro, é "espaço aéreo" (como em "Quando Putin estica sua cabeça no espaço aéreo, para onde ele vai? Alasca", dita a Katie Couric).
Antes de entrar para a política, nos tempos de Sarah Barracuda, a candidata a vice de John McCain disputou dois concursos de miss. Ganhou um deles. Vendo as três entrevistas que deu desde que foi escolhida para a chapa republicana, dá para entender que a época de respostas às perguntas típicas desse tipo de concurso eram na verdade seus anos formativos. Primeiro, veja Sarah Palin desfilando, jovem, em 1984, no Alasca:
Depois, veja a famosa resposta de outra Miss Teen, essa da Carolina do Sul, em 2007:
Então, veja a resposta da governadora à jornalista Katie Couric, quando indagada sobre se os US$ 700 bilhões do pacote não seriam mais úteis se dirigidos à classe média:
Por fim, veja a transcrição traduzida da resposta da Miss Teen de 2007 e da ex-Miss Alasca 2008 feita pelo meu amigo Bruno Garcez, da BBC Brasil, e me diga se percebe a semelhança retórica.
* MISS TEEN 2007
Pergunta - Um quinto dos americanos não sabe localizar os Estados Unidos em um mapa-múndi. Porque você acha que isso acontece?
Resposta - Eu pessoalmente acho que muitos americanos em nosso país não são capazes de fazê-lo porque algumas pessoas por aí em nossa nação não possuem mapas e nossa educação, como na África do Sul e no Iraque, tais como, todo lugar, como eu acredito que eles... A nossa educação aqui nos Estados Unidos deveria ajudar os Estados Unidos, deveria ajudar o Iraque e os países asiáticos, para que possamos construir nosso futuro para nossas crianças.
* MISS PALIN 2008
Pergunta - Por que não é melhor (...) gastar US$ 700 bilhões para ajudar famílias de classe média que estão batalhando com custos de seguro saúde, moradia, gás e compras; ajudá-las a gastar mais dinheiro e colocar mais dinheiro na economia em vez de ajudar essas instituições financeiras que tiveram um papel na criação desta confusão?
Resposta - É o que eu digo, como toda americana, eu estou falando que nos sentimos mal com essa posição na qual fomos colocados, pela qual é o contribuinte que tenta fazer o resgate. Mas, no final das contas, o que o resgate faz é ajudar aqueles que estão preocupados com a reforma do seguro saúde necessária para melhorar nossa economia, ajudar a... É preciso que seja sobre a criação de empregos também, melhorar nossa economia e colocá-la de volta no lugar....
Pelo menos um americano branco (ou amarelo?), classe média-baixa e do interior Barack Obama conquistou _ainda que na ficção. Homer Simpson declarou seu voto nesta semana: "Eu quero mudar!", grita o gorducho ao se desentender com uma urna eletrônica.
Abaixo, o trecho do episódio de Halloween da série de animação, colocado no YouTube, que mostra o personagem no dia da eleição _e lança no ar o medo de que as urnas usadas neste ano estejam sujeitas a fraude.
Com os números que saíram ontem e hoje, Barack Obama ampliou ainda mais a vantagem sobre John McCain, que já beira os seis pontos. São dez as pesquisas compiladas pelo Real Clear Politics entre 26 de setembro e ontem, e em todas Obama aparece na frente. As margens, no entanto, variam de dois pontos (no Ipsos) a nove (na CBS).
Barack Obama - 49%
John McCain - 43,3%
Na projeção para o Colégio Eleitoral, mais lenta porque as pesquisas estaduais muitas vezes seguem intervalos maiores, Obama também avançou consideravelmente _mas, a 33 dias da eleição, ainda não tem os 270 votos necessários para a vitória. Ele passou a aparecer na frente, fora da margem de erro, em Estados-chave como Pensilvânia, Michigan e Wiscosin.
Aliás, dos nove Estados dados como "indefinidos" nas pesquisas (margem do líder inferior a cinco pontos), o democrata está na frente em sete: Ohio (2 pontos), Flórida (3), Nevada (0,5), New Hampshire (1,3), Virginia (2,5), Carolina do Norte (0,5) e Minnesota (4,6). Já McCain lidera em dois: Missouri (1,7 ponto) e Indiana (2,2). O histórico, no entanto, não favorece os democratas: desses Estados, John Kerry venceu apenas em Minnesota e New Hampshire em 2004 _todos os demais foram para Bush.
Obama - 259 (171 "consistentes" e 88 "tendência")
McCain - 163 (158 "consistentes" e 5 "tendência")
Indefinidos - 116
A ver se o debate de hoje entre os vices, Biden e Palin, terá algum efeito sobre as pesquisas...
Uma batelada de novas pesquisas divulgadas hoje deixou McCain nervoso, a julgar por relatos feitos por jornalistas americanos. Primeiro, num encontro com editores do "Des Moines Register", principal jornal da capital de Iowa, ele foi descrito como "irritado" e "sarcástico" pela agência Associated Press ao responder a perguntas sobre a inexperiência em temas nacionais de sua vice. Desdenhou dos "republicanos de coquetéis de Washington" que criticaram Sarah Palin, e disse que ela continua popular "na base" do partido.
Agora há pouco, relata "The New York Times", o republicano ficou "desconfortável" ao encontrar Obama no Congresso, onde os dois, senadores, foram votar o pacote de resgate das finanças. O democrata, conta o jornal, cruzou a linha da bancada republicana para cumprimentar o rival, que respondeu com um "olhar gelado" e um breve aperto de mão. Obama discursou no plenário, McCain não.
As pesquisas são três. A da CBS com o "New York Times" dá vantagem de nove pontos para Obama nas intenções de voto, com 49% contra 40% para McCain. A mesma pesquisa apurou que a popularidade de Bush desceu para 22%, recorde negativo. Duas outras pesquisas, da Associated Press e do Pew Research, apontam dianteira de respectivamente sete e seis pontos para o democrata (48% a 41% e 49% a 43%).
Um quarto levantamento, feito pela Universidade Quinniapiac, mostra vantagem folgada de Obama em três Estados-pêndulo, Ohio, Flórida e Pensilvânia. Segundo a média de pesquisas estaduais do Real Clear Politics, McCain só leva vantagem, no momento, em um dos seis Estados mais indefinidos, Missouri.
Convém, mais uma vez, lembrar que resultado de eleição só se sabe depois da apuração. Em entrevista ao "Financial Times", Donna Brazile, que foi chefe da campanha de Al Gore em 2000 e deve saber do que fala, foi cautelosa ao comentar os últimos números. "Se a eleição fosse na próxima terça, eu previa uma vitória de Obama. Mas ainda faltam 33 dias e, se aprendemos algo nas últimas semanas, é que o público é capaz de mudar de idéia de um momento para o outro."
O candidato republicano, que se confundiu sobre quantas casas possuía (são oito), colocou à venda sua adorável mansão de 13 quartos _o leilão será em outubro. A KTVK, de Phoenix, conseguiu as imagens e a CNN reproduziu. Abaixo, o vídeo, e abstenhamo-nos de comentar a decoração. Mas ele tem várias mesas!
O vídeo está com problemas para postar, mas pode ser visto aqui.
Praticamente sem mudanças o quadro de pesquisas compilado pelo Real Clear Politics entre dia 25 e ontem. O democrata Barack Obama segue à frente nas seis pesquisas listadas, com margens entre 2 e 6 pontos.
Barack Obama - 49%
John McCain - 44,2%
Tampouco variou a projeção para o Colégio Eleitoral, onde nenhum dos dois tem os 270 votos necessários para vencer:
Sarah Palin, Palin syrah? Muita semelhança, decretaram os californianos de San Francisco, uma das cidades mais progressistas dos Estados Unidos. O vinho Palin, feito a partir da uva syrah, antes um sucesso de vendas na região, viu suas vendas caírem vertiginosamente depois da escolha da republicana linha-dura para a chapa de John McCain. A vinícola homônima do Vale do Limari, no norte do Chile, está desconsolada. Mas há esperanças: a North Berkeley Imports disse que começam a aumentar as vendas para outros Estados do país, principalmente os de maioria republicana. Aparentemente, pega bem oferecer Palin syrah --descrito como encorpado, com bom buquê-- em festas de arrecadação de fundos.
Pelo menos a revista eletrônica Slate, que resenha o relançamento em português de "O Presidente Negro", de Monteiro Lobato, ficção científica de 1926 que traz semelhanças curiosas com a corrida eleitoral norte-americana atual. O autor é conhecido no Brasil por sua obra-prima "Yellow Woodpecker's Ranch", ensina o artigo --Sim, é o nosso "Sítio do Pica-Pau Amarelo"...
A "lad magazine" (revista dos caras) Maxim fez sua lista das políticas mais sexies do mundo. A republicana Sarah Palin chegou em segundo lugar. Perdeu a liderança para a deputada italiana Mara Carfagna, ministra de Oportunidades Iguais e queridinha de Silvio Berlusconi. A lista inclui ainda Yulia Tymoshenko, a primeira-ministra da Ucrânia, cuja trança fez parte da plataforma eleitoral.
Obama dilatou um pouco mais a vantagem nas pesquisas no Real Clear Politics. Agora o democrata tem vantagem de 4,9 pontos sobre o rival republicano na média das sete pesquisas compiladas pelo site entre dia 21 e ontem _em seis ele lidera, em uma John McCain aparece na frente. A diferença é que agora a liderança do democrata nas pesquisas, individualmente, está sempre acima dos 5 pontos.
Barack Obama - 48%
John McCain - 43,1%
Já no Colégio Eleitoral, onde a eleição se dá de fato, Obama também amplia a vantagem, mas sem os 270 votos necessários à vitória.
Obama - 249 (171 "consistentes" e 78 "tendência")
McCain - 163 (158 "consistentes" e 5 "tendência")
Indefinidos - 126
Por Estado, as mudanças mais recentes são de Pensilvânia e Michigan, dois eleitorados importantes que como bons pêndulos balançaram de indefinidos para Obama, e o Missouri, que de pendendo a McCain passou a indefinido.
Saiu a audiência do primeiro (e morno) debate entre John McCain e Barack Obama, na última sexta: segundo o instituto Nielsen, o encontro entre os presidenciáveis sobre política externa, segurança e, tema de última hora, economia foi visto por 52,4 milhões de pessoas _excluídos os que viram pela internet, em streaming.
São 300 mil pessoas a menos do que a audiência do apocalíptico discurso de Bush sobre a crise, na quarta, e exatamente 10 milhões de pessoas a menos do que o público atraído pelo primeiro embate entre George W. Bush e John Kerry, em 2004.
O recorde de todos os tempos pertence a Jimmy Carter e Ronald Reagan, que se enfrentaram apenas uma vez na campanha, em 28 de outubro de 1980, e atraíram 80,6 milhões de espectadores.
Tina Fey fez de novo. Está impagável como Sarah Palin na entrevista concedida
a Katie Couric (interpretada por Amy Poehler) na sátira que o Saturday Night
Live levou ao ar no fim de semana. O mais assustador é a similaridade com a
original. A entrevista de verdade está aqui.
Abaixo, Fey. (Posto o link também aqui,
já que o vídeo tem dado problema de reprodução).
Além do conteúdo, gestos e palavras revelam muito sobre candidatos em um debate _de formas que muitas vezes não percebemos a princípio. As dificuldades físicas do republicano John McCain são exemplo disso. Para o especialista em retórica e discursos políticos Wayne Fields, da Washington University em Saint Louis, elas podem ter o efeito positivo de lembrar seu aspecto heróico _McCain tem problemas nos braços devido a torturas sofridas na época em que foi prisioneiro de guerra no Vietnã. Fields analisou a atuação dos dois candidatos no primeiro debate presidencial, na última sexta-feira. Confira trechos da entrevista que ele concedeu à Folha.
"O debate serviu para confirmar a posição já conhecida dos dois candidatos, mas não houve nada decisivo, novo.Mostrou as diferenças de estilo de governança. Obama foi a mesma persona de sempre, cuidadoso, reflexivo, no estilo "vamos pensar antes de agir, medir as conseqüências". Mas ele pareceu estar se segurando muito. McCain preferiu parecer mais decidido, se baseando na emoção. Pareceu irritado, por exemplo, por Obama dizer que tanto a Rússia quanto a Geórgia deviam exercer a contenção [em alusão à guerra entre eles em agosto]. Ele quis dar imediatamente seu apoio ao amigo ‘Misha’ [Mikhail Saakashvili, presidente georgiano]."
"McCain preferia olhar direto para a câmera e ignorava Obama. Foi uma situação desconfortável, especialmente para alguém com pouca experiência em debates como o democrata. McCain evitou gestos em direção a Obama, que começou a ficar envergonhado. Rejeitado, se retraía."
"Há quem acuse Obama de ser frio. Esse tipo de acusação vem de gente que acha que patriotismo é algo profundamente passional. McCain, por exemplo, sempre usa a palavra ‘vitória’ sobre o Iraque, e mesmo sem dizer o que ‘vitória’ significa, isso tem apelo. Para esse público, Obama pode parecer muito contemplativo, muito cuidadoso."
O Palácio do Planalto deveria procurar os candidatos à Presidência dos EUA para propor, desde já, parcerias para 2009-2012?
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) disse a este blog, em Nova York, que Brasília faz questão de ficar bem longe dessa disputa. "Lula é o presidente, eles são candidatos. Não é nosso papel procurá-los. Mas, se quiserem, Lula está sempre aberto a conversar."
A única ponte Planalto-campanhas é o embaixador brasileiro em Washington, Antonio Patriota, que mantém contato com os conselheiros dos candidatos para a América Latina, Daniel Restrepo (de Obama) e Otto Reich (de McCain). Quando perguntei a Restrepo, em Denver, quais perguntas Obama já lhe fez sobre o Brasil, ele não conseguiu citar nenhuma. Já Reich, em Saint Paul, foi mais direto: disse que a América Latina está longe de ser prioridade para McCain e que, na região, os países que despertam interesse de McCain são os inimigos, liderados pela Venezuela.
Há quem ache que o Brasil deveria aproveitar melhor a troca de governo para começar a negociar parcerias, que poderiam entrar no programa de governo dos candidatos. O colunista Clóvis Rossi é um deles. "Eu, se fosse Lula, ligaria para Barack e diria: "Companheiro, juntemos a fome com a vontade de comer e seus problemas acabarão", escreveu Rossi na Folha, sobre uma possível parceria com o álcool brasileiro de cana-de-açúcar para que os EUA diminua sua dependência de petróleo do Oriente Médio (Obama é contra oferecer vantagens tarifárias para o nosso álcool, e amigão do peito dos produtores de álcool de milho americano, daí a importância de tentar vender o peixe).
* Perguntado por uma repórter da Agência Brasil se assistiria ao debate de sexta-feira, Amorim disse que isso dependeria dos filmes que estivessem passando na TV. "Ontem passou Casablanca. Eu gosto muito de cinema", respondeu. Bom gosto cinematrográfico o de Amorim. Qual será seu paladar eleitoral? "Simpatia pessoal cada um tem a sua", nos disse, sobre Obama e McCain.
Lula torce por Obama, segundo nosso colega Kennedy Alencar, por julgá-lo melhor preparado para tirar os EUA da crise.
Depois das performances anódinas dos dois candidatos no debate de sexta-feira, o mais soporífero das eleições presidenciais recentes, surgiram hoje os primeiros anúncios com base no embate.
Advinhem o que John McCain fez? Exatamente o que eu havia dito sexta: encadeou as frases de Barack Obama e montou um clipezinho com o democrata ingenuamente dizendo "John está certo". Pode até ser que a intenção de Obama fosse soar nobre e conciliador, mas o resultado foi no mínimo pueril.
Abaixo, o anúncio de Obama dizendo que McCain não está nem aí para a classe média, a julgar pela ausência de menções a ela no debate. Pode até ser verdade, mas entre um e outro, em termos de marketing político, eu fico com o de McCain.
Como já contamos neste blog, o modelo de óculos usados pela republicana Sarah Palin é hit nos EUA. Mas logo aqui em Nova York, uma das capitais pró-democratas, e também a capital da moda no país? Tirei a foto abaixo em vitrine de ótica da avenida Lexington, em Manhattan, depois de passar por outras duas lojas que a estão usando como garota-propaganda.
Barack Obama continua abrindo vantagem nas pesquisas e no Colégio Eleitoral, conforme "A Bolha Assassina", também conhecida como crise econômica, invade a vida dos americanos (e o noticiário político).
No Real Clear Politics, na média de sete pesquisas compilada entre os dias 21 e 27 deste mês, os números estão assim:
Barack Obama - 47,9% (à frente em seis levantamentos)
John McCain - 43,1% (à frente em um)
E a projeção do Colégio Eleitoral, onde são necessários 270 votos:
Obama - 228 (171 "consistentes" e 57 "tendência")
McCain - 163 (158 "consistentes" e 5 "tendência")
Indefinidos - 147
Vale lembrar, no entanto, que embora a vantagem do democrata tenha aberto um pouco, ela de forma alguma pode ser considerada uma margem segura. Primeiro, porque as pesquisas nos EUA _ dada a natureza indireta da eleição, a não-obrigatoriedade do voto e as amostragens pequenas_ erram muito. Segundo, porque há o fator, neste ano, "racismo latente", como o Sérgio explicou na ótima coluna dele na Revista da Folha deste domingo (aqui, para assinantes da Folha e do UOL).
O blog Folha na Sucessão de Bush coloca uma lupa na eleição presidencial nos EUA e magnifica a cobertura da Folha. Com os repórteres Sérgio Dávila, Fernando Rodrigues, Daniel Bergamasco e Andrea Murta em campo e os comentários da editora de Mundo da Folha, Claudia Antunes, e da editora-adjunta, Luciana Coelho, traz bastidores, discussões e curiosidades que ajudam a explicar este momento de transição na história americana.
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