Folha na Sucessão de Bush
Folha na Sucessão de Bush
 

Sobre Billary e Brangelina

Sobre Billary e Brangelina

Varridos os copinhos de plástico da show-venção democrata, já surgem sinais de que foi uma boa semana para Barack Obama, segundo pesquisas de intenção de voto. Muito mais evidente foi o benefício que teve para Bill e Hillary Clinton, que deram discursos apaixonados, carismáticos, engraçados, enfáticos, em brilho tamanho que quase ofuscou o também inequívoco cinismo da situação, já que a dupla agiu nos bastidores (e no palco) para prejudicar o rival, mesmo quando não havia mais chances de virar o jogo.

O que quer Hillary com esse apoio amplo?, pergunta-se a mídia americana. Participação no governo? Preparar sua candidatura para 2012, caso Obama perca neste ano? Ser indicada para a Suprema Corte? Um país melhor? Estando esses palpites corretos ou não, há algo muito mais simples e imediatista, que costuma ser subestimado na discussão.

Eles querem dinheiro, é claro. Saindo por cima da derrota, ambos se solidificam como celebridades políticas, a versão eleitoral do casal Brangelina (Brad e Angelina), e se gabaritam para continuar fazendo palestras, a cachês na casa dos US$ 100 mil, US$ 200 mil. Um possível novo livro seria, de cara, fenômeno de vendas. Para quem tem grande sede de poder, dinheiro está longe de ser um mau prêmio de consolação.


Obama observa Bill Clinton, que vê Hillary discursar; chora, não, Bill,
o dinheiro já cai na conta (foto da Reuters)

Escrito por Daniel Bergamasco às 15h24

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Pesquisa do dia

Pesquisa do dia

Conforme a média das pesquisas começa a incluir mais os dias da convenção democrata, na última semana, e menos os que a precederam, Obama dilata sua vantagem. Efeitos duradouros, no entanto, só serão conhecidos depois que as pesquisas passarem a captar também o efeito da convenção republicana, que deve monopolizar a atenção da mídia americana nesta semana.

Barack Obama  47,7%

John McCain     43,8%

Média agregada pelo site Real Clear Politics entre 18 e 29 de agosto

Escrito por Luciana Coelho às 14h56

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Curtindo a vida adoidado

Curtindo a vida adoidado

Sexta-feira de uma semana com 120 horas pensando na convenção democrata, vou deixar para o leitor fazer suas próprias ilações sobre a candidata a vice de McCain.

Posto então duas fotos de Sarah Palin. Governadora do Alasca, ex-miss, ex-apresentadora de programa de esportes, mãe de cinco, caçadora, conservadora até a ponta de seu coque-banana e bonitona aos 44, a mulher pode estar a uma batidinha de coração de ser presidente caso McCain vença em novembro (e morra? porque foi isso que insinuou a campanha de Obama).

 Sarah gosta de fuzis...

...e dos anos 80.

(Fotos da Associated Press)

Para mais, não deixem de ler o post da Claudia abaixo nem os textos do Sérgio na Folha amanhã.

Escrito por Luciana Coelho às 22h10

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Biden e Palin - é brincadeira?

 

Tente falar rapidamente os sobrenomes dos candidatos a vice, o democrata Joseph Biden e a republicana Sarah Palin: Báiden e Pêilen, Báiden e Pêilen, Báiden e Pêilen. Vai ter muita gente boa entortando a língua...

 

Escrito por Sérgio Dávila às 21h24

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Mais gente viu Obama que as Olimpíadas

 

Acaba de sair a audiência do discurso de Barack Obama ontem aqui em Denver, no Colorado. Mais de 38 milhões de pessoas assistiram à "Promessa Americana", como o democrata batizou o texto, nas principais emissoras abertas e noticiosas dos EUA. O número pula para 42 milhões se incluída a pública PBS. É mais do que o total que viu a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim e a cerimônia do Oscar 2008 aqui nos EUA e recorde histórico de todas as convenções americanas.

Os quatro dias também atraíram a maior audiência desde que essa medida começou a ser feita, em 1960. Os números são do Nielsen Media Research. Em 2004, o discurso em que o democrata John Kerry aceitou a indicação foi visto por 24,4 milhões; o de George W. Bush, por 27,5 milhões. Além disso, com a transmissão do evento a CNN bateu as emissoras abertas norte-americanas, com 8 milhões de telespectadores. É a primeira vez que a emissora de notícias consegue fazer isso. 

Sintomaticamente, a campanha de Barack Obama não está batendo o bumbo --o Barack Bumbo?-- para o fato, como parte do esforço de dissociar o candidato da imagem de celebridade que a campanha de John McCain vem usando em anúncios negativos...

*

Pouco notados pela imprensa local, os eventos --dezenas-- públicos organizados pela campanha de Obama, com telões para que as pessoas assistissem ao discurso ao vivo, devem ter adicionado outros milhares aos 80 mil presentes no estádio Invesco ontem. Além disso 2, as imagens que chegavam de pessoas assistindo a CNN na Times Square mostravam o ponto turístico tomado de gente...

*

Foto que fiz ontem, durante o discurso no estádio

Escrito por Sérgio Dávila às 21h22

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A melhor paródia

A melhor paródia

No meio dos comentários semi-apaixonados da mídia americana pelo discurso de Obama, David Brooks, do "New York Times", ficou sozinho na crítica. Mas conseguiu ser genial (para aqueles que apreciam ironia fina, como nós aqui no blog) ao emular um democrata discursando na noite de ontem.

Alguns trechos:

"Encontramo-nos hoje para passar a tocha a uma nova geração de americanos, que amadureceu entre iced chais e mocha strawberry Frappuccinos®, uma geração cuja memória histórica não vai para trás do advento da Coca Zero. Encontramo-nos hoje para curar as divisões que rasgam este país. Porque somos um só país, uma só família americana, seja você um democrata consciente e preocupado ou um republicano cheio de ódio maníaco por guerra."

"Quando criança, fui abandonado pelos meus pais e vivi com uma colônia de formigas. Não tínhamos muitas posses, mas tínhamos uns aos outros e conseguíamos carregar um peso muito maior que o do nosso próprio corpo. Quando criança, fiquei temporariamente paralizado por um horrível acidente, mas nunca desisti do meu sonho: falar em uma convenção política para que meu discurso fosse comentado por Wolf Blitzer e um bando de palpiteiros."

"Conhecemos Barack e Michelle Obama, duas pessoas altas, magras, bonitas e ricas que não transpiram, e, ainda assim, sentem compaixão por seus compatriotas rechonchudos e fedidos."

"Estamos animadíssimos aqui com este discurso em frente às colunas gregas, que foram conscientemente recicladas do show 'Yanni, Live at the Acropolis' (...) Estamos inspirados pelas dúzias de senadores democratas que declararam amor eterno a John McCain antes de denunciá-lo como um reacionário oportunista que vai destruir o país. Não, este país não agüentará John Bushmccain. Sob o governo republicano, os gafanhotos devastaram os campos, os adultos usam Crocs em público e os M&Ms perderam seu sabor. Em vez disse devemos subir para as colinas da esperança!"

Deu para ter uma idéia? O texto inteiro você lê aqui. É preciso se cadastrar no site, mas ele é gratuito. 

Escrito por Luciana Coelho às 16h19

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Correção e adendo

Correção e adendo

Sarah Palin não é avó, como disse antes. O bebê que estava no colo da filha da governadora é o caçula dela. Mas ela é, me informa o colega aqui da editoria Rodrigo Rötzsch, membro da Associação Nacional do Rifle. Para caçar focas, claro... 

Escrito por Claudia Antunes às 14h28

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Grande jogada, but

Grande jogada, but

McCain acaba de anunciar a governadora do Alasca, Sarah Palin, como sua candidata a vice. Jogada de impacto, que obviamente visa compensar a idade dele (Palin tem 44 anos) e atrair as eleitoras desgarradas de Hillary Clinton. Palin é muito bonita e mãe de cinco filhos, o mais velho no Exército e um bebê com síndrome de Down. E já é avó.

Mas na apresentação dos dois já surgiram alguns probleminhas. Como McCain, a governadora fala mal para grandes platéias, parece pouco convicta. Em segundo lugar, sua escolha põe em xeque um dos principais argumentos do republicano contra Obama, o de sua inexperiência. McCain completa 72 anos hoje. E se Sarah Palin tiver que ser a comandante-em-chefe? Em terceiro lugar, a governadora é fortemente antiaborto. Ponto fraco para as eleitoras mais ferrenhas de Hillary, que tiveram sua iniciação política nas lutas feministas.

(Associated Press) Palin (pronuncia-se "Peilin), em foto de dezembro

Escrito por Claudia Antunes às 14h06

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Efeito convenção?

Efeito convenção?

Na média das pesquisas, mais um pequeno avanço para o democrata, já abarcando os dias da convenção

Barack Obama 47,5%

John McCain    44%

Agregado pelo site Real Clear Politics entre 18 e 28 de agosto)

Escrito por Luciana Coelho às 13h56

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E o discurso de Obama...

E o discurso de Obama...

...recebido com fervor pelos comentaristas políticos americanos (leia tradução aqui).

(A partir de hoje, com o anúncio da vice de McCain, até a semana que vem, com a Convenção Nacional do Partido Republicano, em St. Paul, o foco vai para os republicanos. Nossos enviados, Fernando Rodrigues e Daniel Bergamasco, estarão lá).

Escrito por Luciana Coelho às 13h52

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Três discursos

Três discursos

O vídeo com o discurso em que Barack Obama aceita a candidatura ainda não está no ar.  De certa forma, parece que nesta noite o democrata perdeu um pouco de sua mística. Embora tenha sido abrangente e sólido, parece ter faltado um pouco daquele fator inspirador.

Aproveito, na espera, para postar três vídeos de discursos levanta-multidão e que têm muito a ver com o que foi dito pelo rival de John McCain:

* o que para mim foi o melhor desta convenção, de Bill Clinton, no qual ele declara apoio inequívoco a Obama mesmo depois de circularem tantos rumores de que estava descontente. E que mostra, afinal, porque Bill é Bill (dá para ler o discurso traduzido aqui, junto com o de Biden e Obama)

 

* o que apresentou Obama ao mundo, em 2004, bem mais pungente do que desta vez

 

 

* e o histórico, o ativista civil Martin Luther King dizendo à multidão no Washington Mall "Eu Tenho um Sonho".

Hoje o discurso, citado por Obama, fez 45 anos

Escrito por Luciana Coelho às 01h35

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Na mosca ou no pé?

Na mosca ou no pé?

No longo discurso, Obama disse que pode até não partilhar da mesma opinião de todos os eleitores sobre o aborto (ele é pró-escolha), mas que todos concordam que é preciso ter uma melhor política de planejamento familiar. Foi uma fala ousada.

Grande parte dos EUA, como no Brasil, abomina a idéia de não-criminalização do aborto. Ele tinha de lembrar os eleitores desse ponto de vista tão polêmico justo hoje, sua chance de falar ao vivo, em TV aberta, para a massa dos sem-CNN, que não costuma acompanhar a corrida eleitoral tão de perto, mas que lhe está assistindo sob risco de ficar sem assunto (até porque a Britney Spears anda meio quieta recentemente...)?

Obama demonstrou honestidade, o que é bom, já que ele quer (e precisa) fazer a "América profunda" conhecê-lo melhor. Talvez também tenha tentado fazer um "habeas corpus preventivo", antevendo que essa posição será usada contra ele muitas vezes na campanha. Ainda assim, o risco é óbvio. Repercussão a conferir.

Escrito por Daniel Bergamasco às 00h28

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Gregos e troianos

Gregos e troianos

Depois de uma videografia montada para fazer a platéia chorar, Obama discursou por quase uma hora.

Parece que conseguiu abarcar tudo que precisava: manter a idéia de esperança/promessa que cativou seu eleitorado no primeiro momento; atacar McCain como mais do mesmo mas ainda assim sem questionar sua idoneidade e seus interesses (isso ficou para os que o precederam); explicar melhor suas políticas _freqüentemente acusadas de vagas_, embora algumas ainda pareçam distantes (como a promessa de acabar com a dependência dos EUA de petróleo em 10 anos; e, principalmente, soar americano. Ah, e citou Martin Luther King, cujo "Eu Tenho um Sonho" completa hoje 45 anos.  A íntegra, por enquanto em inglês, está aqui.

Parece, que no cenário cafona com colunas fake, para sua platéira de 75 mil em Denver (e, pelas imagens da CNN, outras várias aglomerações diante de telões em grandes cidades), Barack Hussein Obama vai conseguir agradar a gregos e troianos. 

  

(Reuters) Obama lotou o estádio

Escrito por Luciana Coelho às 23h57

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Enquanto o Obama não vem

O caminho de atrações da convenção democrata até o discurso de Obama foi pavimentado ontem pela explanação de nomes do partido e convidados, como o governador do Novo México, Bill Richardson, dois filhos do líder Martin Luther King (1929-1968) e o ex-vice-presidente Al Gore.

A fala de Richardson resumiu as propostas do Partido Democrata e apresentou aos eleitores pontos negativos do governo republicano de George W. Bush e do candidato John McCain.

Do programa de governo democrata, ele citou o corte de impostos para a classe média, a intensificação militar no Afeganistão, a retirada de tropas do Iraque, o investimento em saúde pública, a tentativa de independência externa de combustível.

Visto como trunfo do partido para conquistar o eleitor hispânico, Richardson _que é cotado para se tornar o primeiro Secretário de Estado latino dos Estados Unidos, em um possível governo Obama_ disse que o candidato democrata será um presidente "que dará atenção à América Latina e México".

Martin Luther King III e Bernice King fizeram referência ao célebre discurso do pai, "I Have a Dream" (eu tenho um sonho), proferido na mesma data, 45 anos atrás. O filho disse que realizar o sonho "não é trabalho de Obama sozinho", mas de atitudes democráticas da população no cotidiano, mesmo fora das eleições.

"Meu pai estaria orgulhoso de Barack Obama, orgulhoso do partido que o indicou e orgulhoso da América que vai elegê-lo", disse ele.

Escrito por Daniel Bergamasco às 22h28

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Stars and stripes

Stars and stripes

Jennifer Hudson deu início à cerimônia de aceitação da candidatura democrata por Obama cantando o hino nacional americano. Defenestrada do American Idol, ela deu a volta por cima ganhando o Oscar de atriz coadjuvante por "Dreamgirls" (sim, she has a dream), é mulher, é negra. Ela é meio a epítome desta convenção. E canta em falsete num timbre que maltrata meus tímpanos.

 

(Associated Press) Jennifer se esgoeeeeela.

Escrito por Luciana Coelho às 19h13

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Bate-papo

Bate-papo

Claudia fez o bate-papo da Folha Online nesta tarde. A íntegra está aqui.

Escrito por Luciana Coelho às 19h07

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Em algumas horas...

Obama fará o pronunciamento de aceitação de candidatura daqui a pouco (às 23h no horário de Brasília), na mesma data em que Martin Luther King proferiu, há 45 anos, o discurso "I Have a Dream". 

A tarefa é "simples". O candidato tem de parecer sofisticado para lidar com a economia, mas não elitista. Totalmente amarrado às raízes americanas, mas sem afastar a imagem do homem internacionalizado capaz de melhorar a imagem dos EUA no mundo. Simpático, porém sério. Apaixonado, porém sóbrio. E por aí vai...


(foto da Associated Press)

Como grande parte dos americanos não assina CNN, não passa o dia lendo blogs sobre as eleições, não caça imagens dos comícios no YouTube (enfim, ouve mais sobre os candidatos "de orelhada"), é hoje, quando as TVs abertas exibirão a fala de Obama, a chance de se comunicar com a massa e construir de vez uma imagem. As pesquisas daqui para frente são as que contarão de verdade.

*
O que Obama fez no restante desse dia crucial? Foi jogar basquete com os amigos pela manhã. "Vai ser divertido", disse, sobre a noite de hoje.

Escrito por Daniel Bergamasco às 18h15

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Joe, o capanga

Joe, o capanga

Quando Joe Biden foi anunciado como vice na chapa de Barack Obama nesta semana, uma profusão de razões tomou os jornais, os blogs, as TVs, o mundo paralelo das análises políticas americanas.

"É a experiência em política externa", proclamaram _Biden pertence há anos à Comissão de Relações Exteriores do Senado, e pesquisas indicam que esta é uma seara na qual a imagem de Obama não está tão consolidade. "São as raízes operárias", concluíram _o senador de Delaware cresceu numa família de classe média baixa típica, branca, e pesquisas mostram que o presidenciável democrata tem encontrado dificuldade em penentrar nesse eleitorado, que pendeu para o lado de Hillary nas primárias e para o de Bush na última eleição. "É o fato de ele ser um sujeito pé-no-chão", afirmaram também _Obama, temem marqueteiros e acusam republicanos, é por vezes visto como sonhador demais, etéreo quase. Biden é o cara que você convidaria para o churrasco em casa; Obama, o que você espera encontrar diante da lousa em uma sala de aula em uma universidade de ponta.

É claro que esses pontos têm de ser levados em conta, sobretudo o da política externa. Mas eu tenho outra tese. Joe Biden foi chamado para ser o companheiro de chapa de Obama por sua capacidade de bater, de acusar McCain, de ressaltar os pontos negativos do adversário com a autoridade de quem o conhece há 30 anos, de quem está curtido pela política de Washington e de boa parte do mundo. Ele pode, Obama não. Há sempre um ônus de o candidato a presidente fazer discursos negativos, isso pesa sobre sua imagem. Já o vice... o vice é só o vice. Biden, afinal de contas, é Biden. Dele não se espera outra coisa, ele só está cumprindo seu papel.

Foi isso que Biden fez ontem à noite em Denver. Seu discurso acabou eclipsado pelo de Bill Clinton, foi morno, mas serviu para mostrar a que veio sua candidatura O veterano do Senado fala pelos cotovelos, aponta dedos, recorre ao humor e à sua experiência (duas coisas difícieis para Obama). Não tem medo de ser politicamente incorreto, não teme as gafes.

Joe knows his business. Joe é o capanga. Com ele, Barack não suja as mãos.

Para quem não viu o discurso do senador:

Escrito por Luciana Coelho às 13h09

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Dia da marmota, de novo

Dia da marmota, de novo

Os candidatos continuam tecnicamente empatados na média das pesquisas, com ligeira vantagem para Obama.

Os palpiteiros adoram culpar a campanha de um de outro por não decolar, primeiro malharam a do republicano e agora se atêm à do democrata. O fato é que em 2000, com Bush e Gore, foi assim; em 2004, com Bush e Kerry, foi assim. O eleitorado americano, no fim das contas, se divide de forma equilibrada. Sempre.

BARACK OBAMA - 46,7%

JOHN MCCAIN -    44,7%

Média das pesquisas agregadas pelo site Real Clear Politics entre 18 e 27 de agosto

Escrito por Luciana Coelho às 12h54

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O melhor

O melhor

Bill Clinton está fazendo, disparado, o melhor discurso da convenção democrata até agora. Só alguém com o carisma e a experiência dele pode falar aos americanos da situação drástica em que o país se encontra, nas frentes interna e externa, sem medo de parecer derrotista diante da retórica sempre patriótica dos republicanos. Só ele, até agora, teve a capacidade de descrever ao nível do chão os atuais dilemas dos Estados Unidos, com crise econômica e desigualdade de renda crescente dentro e seu poderio desmoralizado no exterior, sem parecer pessimista. E finalmente, depois de todos os comentários da campanha de McCain e dos analistas conservadores da mídia, Clinton engoliu, profissionalmente, o ressentimento, e disse que Barack Obama está "ready to lead", pronto para ser o comandante-em-chefe _a frase que teria faltado no discurso de Hillary na véspera.  

(Reuters) Bill em Denver: sem chance para a concorrência

Escrito por Claudia Antunes às 22h28

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E eis que...

...Bill Clinton tomou o palco e disse "Eu estou aqui, primeiramente, para apoiar Barack Obama". E eis que, algumas frases depois, disse que o calor da platéia está incrementando o aquecimento global. Todo mundo riu.

Escrito por Daniel Bergamasco às 22h08

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Final de campeonato é assim....

...Todos atentos olhando para a TV


No saguão do Sheraton, em Denver, há alguns
minutos, esperando pelo discurso de Bill Clinton _o
rapaz florido acima esperava lendo, como se pode ver

 

Escrito por Daniel Bergamasco às 22h04

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Acabou

Acabou

Hillary Clinton acaba de pedir a suspensão da votação e a aclamação de Barack Obama como candidato democrata à Presidência. Ela falou no momento em que a delegação de Nova York votaria, arrancou lágrimas e aplausos. Nancy Pelosi, presidente da Câmara, perguntou se todos estavam de acordo. Gritaria, braços erguidos, sobe a música. Acabou. Obama é candidato para valer.

Escrito por Luciana Coelho às 19h50

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Avon chama!

Avon chama!

 Os delegados democratas estão votando, Estado por Estado, mais ou menso 85% dos votos para Obama e 15% para Hillary, de consolação, "para fazer história", como eles dizem. Os discursos são engraçadíssimos. A Califórnia, com seus mais de 400 votos, "passou". Mas o sucesso mesmo da noite deve ser a secretária do partido, Alice Travis Germond. Com sua voz de professora de pré-escola, cheia de ternura, ela é a responsável por chamar os votos, e parece estar tendo o momento de sua vida.

A impressão que dá é que a qualquer momento ela vai oferecer uns Tupperwares ou um produtos da Avon.

Assim que houver vídeo, ele estará aqui.

 

Escrito por Luciana Coelho às 19h16

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Nem Hillary nem Mark Warner -- a estrela foi o governador gordinho

 

Se o discurso de Hillary Clinton foi o mais esperado de ontem e o do ex-governador Mark Warner, o que mais prometia --e não cumpriu--, o campeão de popularidade foi mesmo Brian Schweitzer. O roliço governador de Montana foi o único a levantar literalmente a platéia do Pepsi Center, com seu discurso empolgado, bem-humorado e "verde".

Alguns títulos de hoje:

- Mark Warner? Hilary Clinton? Tragam de volta Brian Schweitzer.

- Alguém poderia por favor dar o lugar de honra para esse cara, o Schweitzer?

Ele em ação:

Escrito por Sérgio Dávila às 16h06

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Tragédia grega - a gafe

 

Parece piada, mas em meio a toda a tragédia grega que virou a Convenção Democrata, com Hillary Clinton dizendo que seus eleitores querem "catarse" e os Clinton em pleno processo de "reverso da fortuna", algum decorador infeliz resolveu que esse seria um bom tema para o palco em que Barack Obama fará seu discurso principal, amanhã. Uma foto do lugar já vazou e anda como rastilho de pólvora pela blogosfera. Ainda dã tempo de mudar...

Escrito por Sérgio Dávila às 15h58

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A noite dos exes, ou the comeback kid

A noite dos exes, ou the comeback kid

O terceiro dia da Convenção Democrata, sob o amplo título "Garantindo o Futuro da América", tem como atração maior o candidato a vice, Joe Biden. Mas é o ex-presidente/ex-candidato a primeiro-cavaleiro Bill Clinton que deve atrair mais atenção (23h30 daqui).

Circula na convenção, segundo a mídia local e nossos enviados, que Bill anda desgostoso. Ontem, enquanto a CNN enchia lingüiça no ar para esperar pelo discurso de Hillary, a imagem mais constante na tela era a dele, com essa cara que você pode ver aí embaixo.  

O resto da lista de oradores do dia parece todo prefixado com "ex": falam dois ex-candidatos a candidato (além do próprio Biden), o ex-governador do Novo México Bill Richardson (que disputou com Obama e agora é cogitado para ser seu secretário de Estado) e o senador e ex-cotado para vice Evan Bayh, uma promessa do partido. A ex-secretária de Estado Madeleine Albright, do gabinete de Clinton, também discursa, assim como o ex-líder na Câmara Tom Daschle e o senador Harry Reid, líder da maioria. E, no que parece ser o momento mais soporífero da noite, há o dicurso de John Kerry, ex-presidenciável, derrotado por Bush em 2004.

Pelo perfil dos oradores, eu diria que as críticas ao governo Bush ficarão por conta de Bayh. E estou curiosa para ver se _e quanto_ Bil citará a mulher e a sua gestão.

Além dos discursos, hoje é oficialmente o dia que efetiva a longa temporada de prévias partidárias. É hoje que os delegados partidários votam _normalmente, reproduzindo, em bloco, o resultado das urnas do Estado que representam. Depois de muita negociação entre as equipes de Obama e Hillary ficou decidido que ambos serão apresentados como candidatos, mas que ela interromperá a votação, pedirá a seus eleitores que seus votos sejam para o ex-rival. A consagração de Obama será só amanhã.  

Bill assiste discurso de Hillary. Um dólar por seus pensamentos. (Associated Press)

Escrito por Luciana Coelho às 14h26

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Tough Hillary, Human Hillary

Tough Hillary, Human Hillary

Para quem quiser ver o discurso de Hillary Clinton na Convenção Democrata na noite de ontem:

E a vídeo-homenagem a ela exibida no mesmo palco está aqui.

Escrito por Luciana Coelho às 13h16

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"No way. No how. No McCain"

 

"De jeito nenhum. De maneira nenhuma. Sem McCain." Com a frase --"No way. No how. No McCain", no original, em inglês--, Hillary iniciou um longo ataque ao candidato republicano, em que procurou explicitar a ligação do senador com o presidente George W. Bush no discurso de ontem.

"John McCain é meu amigo e meu colega e serviu nosso país com honra e coragem", disse, para começar a listar: "Mas não precisamos de mais quatro anos dos últimos oito anos. Mais estagnação econômica e menos saúde pública. Mais preços altos de gasolina e menos energia alternativa."

"John McCain diz que a economia está sólida, não acha que 47 milhões sem plano de saúde é uma crise. Ele quer privatizar o serviço de previdência. E, em 2008, ele ainda acha que é o.k. que as mulheres não tenham paridade salarial."

Com uma agenda assim, continuou, "faz sentido que George Bush e John McCain se encontrem na semana que vem nas Twin Cities [cidades gêmeas, apelido das vizinhas St. Paul, a capital, e Minneapolis, a principal cidade de Minnesota, onde o Partido Republicano realiza sua convenção], porque hoje em dia é muito difícil diferenciá-los."

Era sua maneira de cumprir a agenda do partido, que avaliou que o primeiro dia foi tíbio em ataques ao oponente. Era sua maneira também de responder ao uso que o republicano vem fazendo em anúncios negativos de críticas que a ex-primeira-dama dedicou a Barack Obama durante as primárias --o mais recente dos quais foi ao ar ontem.

Na segunda-feira, o Partido Republicano havia feito sua mais recente provocação. Promoveu num bar o evento "Happy Hour por Hillary".

Escrito por Sérgio Dávila às 00h54

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Cristal japonês

Bill, na platéia, está com os olhos marejados...

Escrito por Daniel Bergamasco às 23h47

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Alô sr. marqueteiro!

Se os gênios por trás da edição da vídeo-homenagem a Hillary Clinton tivessem aparecido antes, talvez ela tivesse conseguido a candidatura. Narração de Chelsea ressaltando os laços de três gerações de mulheres da família e encerrando, orgulhosa, com "um mundo de possibilidades pela frente"; trilha sonora toda com indie rock (aliás, é a primeira vez que ouço tocar algo pós-anos 80 nesta convenção); imagem totalmente humanizada. Ela ri, ela canta, os amigos falam, Bill se diz cheio de carinho. Ela aparece até com Amy Pohler, sua "sósia" no Saturday Night Live.

Onde estava a versão humana da Hillary durante a campanha??

(Reuters) Contra-regras testam opções de terninhos para Hillary no palco em Denver. Ela escolheu o laranja.

Escrito por Luciana Coelho às 23h44

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Para não dizer que não falei de republicanos

Para não dizer que não falei de republicanos

Os republicanos divulgaram hoje um arremedo de cronograma de sua convenção, semana que vem em St. Paul, elecando quem fala em qual dia. Publico a lista toda amanhã, inclusive com as bonitas epígrafes de John McCain para cada um dos dias/temas. Mas por ora, algo curioso...
 
Na quarta, dia reservado ao candidato a vice, estão escalados o governador Bob Jindal (da Louisiana) e o ex-governador/ex-pré-candidato Mitt Romney. Demais cotados para a vaga na chapa republicana, como Tim Pawlenty, Mike Huckabee, Tom Ridge (há uma lista longa e semi-incógnita) falam em outros dias. 
 
Minha bola de cristal diz que o vice já foi decidido. Ele tem cinco filhos, é rico e é mórmon. 

Escrito por Luciana Coelho às 23h30

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A Denver eleitoral _e a real

A Denver eleitoral _e a real

A cidade-sede da show-venção democrata, de cerca de 600 mil habitantes, está repleta de manifestações eleitorais e de policiamento por todos os lados. Abaixo, cenas dessa Denver da convenção _e também da Denver "de verdade".


Agentes estão por toda parte (toda mesmo)


Na falta de algo para repreender, enfeitam o Facebook dos turistas


A vantagem dos músicos de rua com panflutes e flautas daqui
é que o repertório não
inclui "É o Amor" ou "Asa Morena". Mas o
músico acima está com pinta de quem vai tocar "Imagine".


As onipresentes estátuas e flores

 
Mais flores, mais estátuas


Lojinha oficial (não que Obama se importe com as piratas que
o promovem, claro)


A discreta camionete com o totem de Obama anuncia o kit
vendido no site 
www.obamainabottle.com (Obama na garrafa)

 

Escrito por Daniel Bergamasco às 23h07

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Matador de aluguel

Depois de uma noite de fofuras familiares ontem... Mark Warner, o governador da Virginia, ficou com o trabalho sujo. Lembrar o público americano de quão ruim o governo Bush é e que John McCain, querem fazer crer os democratas, será sua continuidade (Claudia postou sobre o excesso de ternura na convenção minutos atrás).

Ele ainda está falando, mas seus fronts principais até agora foram empregos e alta dos combustíveis. Ops, agora ele lembrou da Guerra do Iraque e do esvaziamento do poder de influência americano. Aparentemente a lista vai longe. 

Há talvez uma nota de amargura aí. Warner foi perfilado dia desses pelo Financial Times como o homem que há dois anos era visto como o único capaz de roubar a candidatura democrata de Hillary Clinton. O que conseguiu foi ser escada para o discurso da ex-primeira-dama.

 

(Reuters) Warner (esq.) com Howard Dean, presidente do Partido Democrata 

Ps. Warner também lembrou suas raízes humildes, disse que foi o primeiro da família a ir à faculdade etc etc etc. Será que alguém nesta convenção pode, por favor, fazer um discurso sem a premissa do self-made man?

Escrito por Luciana Coelho às 22h58

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Giuliani na cova dos leões

 

Aproveitando o post da Luciana, abaixo, vale dizer que o ex-prefeito de Nova York teve de entrar no Pepsi Center, onde se realiza a Convenção Democrata, aqui em Denver, para dar a entrevista à CNN. Poucos perceberam a presença do arquiimimigo Rudy Giuliani, daí a relativa ausência de vaias... 

Escrito por Sérgio Dávila às 22h43

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Filhas de Obama preferiam os Jonas Brothers

 

Antes de levar as filhas ao palco, no final de seu discurso de ontem, Michelle Obama abaixou-se e disse a Malia, 10, e Sasha, 7: "Tenho uma surpresa para vocês". Ela se referia, é claro, à aparição do pai das meninas, Barack Obama, no telão.

Ouviu de Malia: "São os Jonas Brothers?" Náo, não eram os Jonas Brothers, mas Daddy Barack. "No fim das contas, ela até achou que o papai era uma segunda opção decente", disse Michelle hoje, durante mesa-redonda em Denver. As filhas estavam bravas com os pais pois tiveram de vir a Denver participar do momento família bem no dia em que a banda pop adolescente se apresentava em Chicago... 

Escrito por Sérgio Dávila às 22h39

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O debate sobre a raça

O debate sobre a raça

A Folha publicou hoje artigo em que Matt Bai, colaborador do "New York Times", argumenta que não é por causa de cor de Obama que ele não consegue abrir a dianteira sobre os republicanos. Diz que o eleitorado americano é mesmo dividido ao meio, e que a impopularidade de Bush não basta para mover conservadores para o outro lado. Mas Bob Herbert, colunista do mesmo jornal, diz o contrário. Ele acha que raramente a questão racial é abordada diretamente, mas está em toda parte. Cita uma pesquisa em que 57% concordam com a afirmação de que "há pessoas que querem ferir Barack Obama por causa de sua raça e às vezes eu temo pela segurança dele".

Escrito por Claudia Antunes às 22h28

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Muito choro, pouco ataque

Muito emoção, muito choro com a aparição do ícone Ted Kennedy, na noite de ontem, e principalmente o rame-rame sem fim dos Clinton ainda inconformados em ceder o controle do partido e da campanha a um novato.

As pesquisas vão medir, provavelmente a partir de sexta, se a convenção democrata terá algum efeito no atual empate entre Obama e McCain. Mas a ansiedade de ex-marqueteiros democratas que agora viraram comentaristas da mídia não pára de crescer. "Por favor, democratas, ataquem", implora o ex-assessor de Clinton Paul Begala no Huffington Post. É a mesma sugestão feita há dois dias por James Carville: os democratas ficam lambendo feridas em público, ou dizendo a si mesmos que são sensacionais, e não tiram partido da incrível impopularidade do governo Bush. O nome do atual presidente nem sequer foi mencionado pelos principais oradores do primeiro dia.

Aliás, por mais que citar uma só pesquisa seja arriscado _elas erram muito, como ficou constatado nas eleições primárias_, ontem o trakking diário do Gallup veio aumentar o nervosismo entre os democratas. Segundo a pesquisa, a escolha de Joe Biden para vice não trouxe mais votos para Obama. Ele e McCain continuam empatados, com o republicano na frente (46% a 44%).  

 

Escrito por Claudia Antunes às 22h11

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There will be blood

There will be blood

Rudy Giuliani, o homem que Joe Biden descreveu como incapaz de formular uma frase que não seja SUJEITO + VERBO + 11 DE SETEMBRO, acaba de dizer a Wolf Blitzer, da CNN, que seu discurso na Convenção Republicana na próxima semana vai fazer "algumas comparações" entre os candidatos (sorriso cínico acompanha).

Eufemismo desnecessário do ex-pré-candidato republicano. Giuliani fará o discurso principal, equivalente ao que Hillary faz hoje e tradicionalmente usado para atacar o adversário, abrindo caminho para que o candidato consagrado fale apenas de coisas positivas. A pergunta de Blitzer a Giuliani foi se ele, na próxima terça, vai apenas exaltar as qualidades de McCain ou partirá para um discurso "red meat", de ataque feroz.

Palpite? "Obama atrairá outro 11 de Setembro".

Escrito por Luciana Coelho às 21h34

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O que Hillary quer

O que Hillary quer

Hillary Clinton é a atração principal na noite de hoje no show, ops, Convenção Democrata em Denver. Deve entrar ao vivo, com seu próprio "Segmento Hillary Clinton", por volta das 20h30 (23h30 em Brasília). Será precedida por uma apresentação em vídeo (uma homenagem?). E, mais popular do que Obama entre a classe média baixa branca, falará de economia e desemprego, temas que encabeçam as preocupações do eleitorado em geral segundo as pesquisas de intenção de voto.

Além de Hillary, discursam hoje 12 governadores democratas _os mais interessantes, aposto aqui, devem ser o falante David Patterson (de Nova York, que Daniel Bergamasco entrevistou para a Folha de amanhã), Kathleen Sebelius (do Kansas, que foi cotada como vice) e Mark Warner (de Virgínia, que antes do início da corrida partidária chegou a ser visto como um dos mais fortes rivais de Hillary pela candidatura). Há o bloco de senadores e deputados e o de depoimentos de operários demitidos e de políticos republicanos ressentidos com a crise. Falarão os líderes sindicais John Sweeney (da megacentral AFL-CIO) e Anna Burger (da recém-criada Change to Win). Tudo para mostrar um partido unido, que se curou de uma temporada de primárias raivosa e divisiva e está pronto para recuperar a Casa Branca. A ver.

(Caso nada funcione, haverá corais, pastores, atrações musicais e até um momento "In Memoriam", no melhor estilo festa do Oscar.)

Escrito por Luciana Coelho às 15h54

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She is so lovely

She is so lovely

Para quem não viu ontem e quer ver, o discurso da articuladíssima Michelle Obama, no qual ela se esforçou para mostrar que sua família é um produto do sonho americano.

(Em e-mail torpedeado por seu site, Obama diz que é "sortudo de ser casado com uma mulher que faz um discurso assim.)

Escrito por Luciana Coelho às 15h35

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Mudança de geração?

Mudança de geração?

É cedo para saber se o discurso de Michelle Obama terá o efeito pretendido de mostrar que o marido é americano como torta de maçã, e não a figura exótica sugerida por sua biografia com ramificações em três continentes. Mas se a intenção dos democratas era uma apresentação piegas, emotiva, a candidata a primeira-dama ficou longe disso. Havia uma dissonância entre o discurso de imagens melosas e Michelle. Ela parecia uma executiva prestes a sacar o power point para mostrar o pai operário, a mãe que passou a ser o esteio da família quando ele ficou incapacitado por uma esclerose múltipla, seu próprio sacrifício para chegar a Harvard.

Quando McCain chama Obama de elitista, ele obviamente não se refere a quanto dinheiro seu rival tem. Anglo-saxão, branco e protestante, filho e neto de militares, casado com mulher riquíssima, McCain pretende na verdade enquadrar Obama no que ele de fato é _um representante da elite "liberal" (progressista, nos EUA) da costa leste, cosmopolita, à vontade com ex-radicais como William Ayers, que nos anos 60 fez parte do grupo Weather Underground.

Em artigo para a revista "Newsweek" desta semana, o historiador Sean Wilentz lembra que desde a revolução conservadora iniciada no início dos anos 70, uma mobilização da chamada "maioria silenciosa" em reação ao espírito contestador que teve seu auge nos 60, os democratas jamais conseguiram levar à Casa Branca um candidato da costa leste. Tanto Jimmy Carter quanto Bill Clinton fizeram carreira política na conservadora América sulista, respectivamente na Geórgia e no Arkansas.

É por isso, e não só por ser o primeiro negro candidato à Presidência por um partido majoritário, que a aposta de Barack Obama é muito alta. Como disse a obamista Samantha Powers a Sérgio Dávila, no perfil político de Obama publicado pela "Folha" no domingo, o democrata acredita que há uma mudança geracional nos Estados Unidos que vai se expressar nas urnas neste ano, pondo fim a três décadas de hegemonia política e ideológica da direita. Mas as pesquisas têm mostrado um eleitorado ainda rachado pela metade. E pelo visto o resultado em novembro, num país em que o voto não é obrigatório, dependerá da mobilização de setores que estão em suas franjas, de negros e latinos a jovens.  

 

 

Escrito por Claudia Antunes às 15h24

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Pesquisa do dia

Pesquisa do dia

A diferença continua dentro da margem de erro. A ver se a megaconvenção surte efeito na próxima semana.

Barack Obama - 45,9%

John McCain -    43,9%

(Média das pesquisas agregadas pelo Real Clear Politics entre 18 e 25 de agosto)

Escrito por Luciana Coelho às 13h00

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E o lenhador do Colorado?

No palco da convenção, Obama (por telão) e sua família (ao vivo) se comportam como se estivessem em comercial de margarina, mas estão inseridos em cenário de anúncio de refrigerante (de uva). Obama quer se mostrar "gente como a gente", mas é questionável se a ostentação de sua campanha (caleidoscopada pelo entusiasmo da mídia) combina com a América "caipira". É ver a foto do post abaixo e se perguntar: o que acham dessa show-venção à moda Broadway/Vegas o lenhador, o mecânico, o pedreiro do Colorado? Sondarei enquanto estiver no Estado e depois conto aqui no blog.

Escrito por Daniel Bergamasco às 01h54

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O maior espetáculo da Terra

O maior espetáculo da Terra

(AP) Obama conversa com a família de seu portal de neon. A mídia americana adorou.

Dentro de alguns anos (talvez bem poucos), esta eleição americana será estudada como um "case" de mídia. De mídia política e de mídia de entretenimento. E o exemplo-mor será este primeiro dia da Convenção Democrata.

Se John McCain já tinha exemplos suficientes para se condoer do amorzinho da mídia americana por Obama... Bom.  Nesta noite até a direitista Fox News está usando palavras triunfalistas para descrever o espetáculo em Denver. Sim, "triunfo" é uma delas. E a frase mais repetida, claro, "O sonho vive", saída da boca de um Ted Kennedy convalescente, ressurgido após três meses de recuperação após uma cirurgia para tratar um tumor no cérebro. Mas não faltaram elogios a Michelle Obama, e seu discurso "forte", "pungente", nas palavras de Wolf Blitzer e companhia na CNN. "Mulher de Obama celebra seus valores e aspirações", no "New York Times". No "Washington Post", "o convalescente Kennedy eletriza delegados" É uma onda. Os jornalistas estão tomados por um entusiasmo bizarro.

Toda convenção tem um discurso emocionante, mas essa comoção coletiva, essa cobertura ininterrupta é inédita. Ok, em 2004, quando eu estava lá, o candidato era o anódino John Kerry, alguém difícil de vender até com todo o neon do mundo. Mas a impressão que dá desta vez, com o intervalos para comerciais cronometrados, com os vídeos "esta é sua vida", com a platéia de 75 mil pessoas e as atrações musicais, é que se trata de um show para a TV. Que nos próximos dias vai se perpetuar em looping em sites e noticiários do mundo todo. E na quinta-feira, quando Obama for consagrado, devem usar o que, canhões de laser? Os apresentadores de noticiários vão gritar de emoção?

Saudade daqueles confetezinhos mambembes que encerravam as convenções do passado.  

Escrito por Luciana Coelho às 00h46

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Hi Daddy!

Hi Daddy!

É um reality show. Após o discurso de Michelle,  Obama apareceu em um telão montado numa espécie de portal cafona e conversou com ela e com as filhas. Um diálogo familiar fofo/cômico, parece saído de um filme do Frank Capra. Ele está em uma casa no Kansas com uma família de classe média baixa, elas no palco estilo anos 80 em Denver. E isso depois das lágrimas provocadas pelo discurso da mulher na ala feminina da platéia. Temos blogueiros emocionados nesta equipe.

Logo mais falaremos do discurso. E das reações amorosas da mídia americana, que não consegue se conter.

(France Presse) Michelle discursa. A Felicidade Não Se Compra.

Escrito por Luciana Coelho às 00h10

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Guerra Fria

Guerra Fria

Era de se esperar, mas talvez McCain esteja abusando das citações à sua experiência de prisioneiro de guerra no Vietnã. Ele fez isso de novo ontem à noite, no programa de Jay Leno, quando foi questionado sobre o número de casas que possui com a mulher, Cindy, herdeira de uma distribuidora de bebidas. Obama tem usado o mote das casas (são oito) para dizer que McCain está distante do americano comum. "Eu passei cinco anos e meio numa cela, eu não tinha uma casa, não tinha uma cozinha, não tinha uma mesa de cozinha, não tinha uma cadeira", disse o republicano.

McCain também anunciou que está mandando Cindy para a Geórgia, para solidarizar-se com o pró-ocidental presidente Mikhail Saakashvili. A visita vai coincidir com a de Dick Cheney, vice de Bush e seu falcão-mor. Um dos principais assessores de política externa do candidato republicano, Randy Scheunemann, foi lobista do governo da Geórgia quando o país do Cáucaso começou a tratar do seu ingresso na Otan. Se a entrada não tivesse sido atrasada na última cúpula da organização, no primeiro semestre deste ano, o conflito entre os georgianos e os russos não seria para os americanos, a esta altura, apenas uma guerra por procuração.

   

Escrito por Claudia Antunes às 23h04

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AMERICA'S NEXT PRESIDENT

A CNN acaba de me informar _enquanto passavam um emocionante videotributo a Ted Kennedy_ que a Convenção Democrata mais longa foi a de 1934, que durou 17 dias.  Acho que se aplicássemos isso aos dias atuais teríamos um reality show campeão de audiência. Mas Hillary e Obama teriam de ser votados por telefone. Ou por um júri presidido pela Tyra Banks, pois tenho a impressão de que qualquer hora ela vai surgir no palco com a Oprah.

Ops, Ted Kennedy em pessoa acaba de entrar no palco. Havia três meses que ele não aparecia em público.  

Escrito por Luciana Coelho às 22h35

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Você sabe o que faz um delegado?

Você sabe o que faz um delegado?

Conheci Brynn Palmer (à esq. na foto, com a amiga Amanda) no aeroporto de Denver. Vinda de Missouri, estava animada por ser, pela primeira vez, uma delegada na convenção democrata.

 

Nos primeiros meses do ano, os comitês democrata e republicano em cada Estado promoveram eleições prévias. Conforme conquistavam votos nas primárias, os pré-candidatos obtinham cadeiras na convenção para seus delegados (a matemática desse processo é complicada, varia conforme o Estado e o condado, com casos em que o segundo colocado conseguia mais cadeiras que o primeiro).

Em Missouri, Obama e Hillary Clinton empataram em votos e em delegados conquistados (36 para cada um). Brynn ganhou uma dessas vagas de delegado em um "concurso de discurso" realizado pelo partido. Cada concorrente tinha um minuto para exaltar um dos candidatos; os mais aplaudidos ganhavam uma cadeira.

Eis que, então, Brynn está em Denver. Ela e mais 4.048 delegados, cada um com sua cadeira reservada no Pepsi Center. Na quinta-feira, cada um deles dirá o nome do candidato que representa. Já se sabe, há meses, que Obama terá maioria, razão pela qual os outros pré-candidatos foram desistindo da campanha. Hillary será a única a colocar seu nome na cédula _já orientou seus delegados a votarem primeiro nela e depois a mudarem o voto para Obama.

Escrito por Daniel Bergamasco às 21h51

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Ritmo de Festa

Ritmo de Festa

Caravana (ops, delegados) da Flórida. Não disse?

(foto do site do "New York Times")

Escrito por Luciana Coelho às 21h29

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Hilária Clinton

Hilária Clinton

Vai uma gargalhadinha da Hillary Clinton aí? Custa só US$ 10 na banca do Tio Sam abaixo, que posou para o blog exibindo seu produto: uma caneta com botão que dispara o "Uááá! Há! Há! Há!". Os acordes ficaram bem parecidos, aliás. Era, de longe, o souvenir eleitoral de maior sucesso nesta tarde em frente ao Colorado Convention Center, onde Hillary apareceu de surpresa em uma assembléia com delegados democratas da comunidade hispânica (eu estava lá, foi uma comoção geral, com o público se atropelando para vê-la de perto).

Close-up

Escrito por Daniel Bergamasco às 21h19

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Show do Milhão

Show do Milhão


Os democratas estrilaram (com razão) quando McCain chamou Obama de celebridade vazia. Mas a CNN está transmitindo ao vivo da Convenção
Democrata, em Denver. É meio um misto de festa do Oscar com "American Idol" com "Programa Silvio Santos" (e suas caravanas de colegas de trabalho de rincões distantes). Agora eles estão no "intervalo musical", com John Legend (quem?) cantando ao vivo. Na quinta teremos Jon Bon Jovi. Sério.

(Fotos da Reuters)

Escrito por Luciana Coelho às 21h00

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Obama visitará o Brasil

 

É o que disse seu principal assessor para a região, Daniel Restrepo, em encontro hoje à tarde em Denver, Colorado, com diplomatas da região e o acadêmico Arturo Valenzuela. Segundo relatos do encontro, o comando de Barack Obama ainda decide quando o democrata visitará a América Latina, Brasil incluído --se antes do dia 4 de novembro, o que parece cada vez mais improvável, se, na hipótese de vencer a eleição, como presidente eleito, entre o dia 5 de novembro e 19 de janeiro, ou se como presidente, em algum momento nos primeiros seis meses depois de sua posse, no dia 20 de janeiro de 2009.

Dos países citados por Restrepo na reunião, o Brasil foi o que mereceu só menções positivas, segundo os relatos. A ação no Haiti, a política de biocombustíveis e o modelo de relacionamento do país com seus vizinhos como paradigma para os Estados Unidos estiveram entre os pontos citados por Restrepo.

 

Escrito por Sérgio Dávila às 18h25

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Beba Barack Obama

O Pepsi Center, em Denver, abriga os quatro dias da convenção democrata. No local, não vi referências diretas à marca de refrigerante que patrocina o ginásio. Em frente à entrada, contudo, há essa leitura, por assim dizer, "artística" da logomarca.

Na blogosfera política, corre a semelhança entre a marca do refrigerante e a do candidato.

Escrito por Daniel Bergamasco às 16h18

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"Welcome to Denver"

Nas lojinhas do aeroporto, os recém-chegados a Denver (delegados, acadêmicos, jornalistas, manifestantes, democratas engajados, simples curiosos) já entram no clima da convenção. Vende-se Barack Obama em estampas em camisetas, pulseiras, broches, balas, chocolate, baralho...

A semana de convenções mobiliza a comunidade. Na foto abaixo, um dos muitos voluntários que passaram horas no aeroporto no final de semana dedicados a orientar visitantes perdidos.

 

Escrito por Daniel Bergamasco às 15h50

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Ganhando a piada

Ganhando a piada

Se é incerto que ao escolher Joe Biden  (leia-se "Báiden") como vice em sua chapa Barack Obama conseguirá satisfazer o operariado branco _que em grande parte lhe deu as costas na fase de primárias partidárias_ e aqueles que acham que lhe falta experiência em política externa, ao menos um grupo já festeja a nomeação do senador de Delaware: os humoristas, provavelmente uma das únicas classes na qual George W. Bush deixará saudades.

Depois de muita reclamação de que Obama não rendia piada, apresentadores de talk-show e fanfarrões em geral poderão se fartar com o desbocado Biden, cuja falta de tato, limite e, muitas vezes, bom-gosto deve render amplo material para os programas noturnos  _ele já andou dizendo que Obama era o primeiro negro "limpo e articulado" a disputar a Presidência e que era impossível entrar em uma loja de conveniência nos EUA sem se deparar com um indígena, entre outras pérolas.

Mas nem só risadas rendem as tiradas de Biden. O site Politico, de inclinação conservadora, já preparou um vídeo de gafes nada lisonjeiro (em inglês):

Escrito por Luciana Coelho às 14h11

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O mundo perigoso lá fora

Para quem se interessa em ver como os formuladores de políticas dos dois grandes partidos americanos vêem os desafios internacionais do novo presidente, uma dica é dar uma olhada na página da "Foreign Affairs", a bíblia do establishment da política externa dos EUA. No número de setembro/outubro da revista bimensal, escrevem o neoconservador Robert Kagan, conselheiro informal de John McCain, e Richard Holbrooke, que foi secretário de Estado assistente e embaixador na ONU no governo Clinton, além de ter negociado o Acordo de Dayton, que em 1995 pôs fim à guerra na Bósnia.

Holbrooke, que foi preterido por Anthony Lake, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Clinton, no comando da assessoria de política externa de Obama, diz que o próximo presidente encontrará a situação mundial mais difícil, para os EUA, desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria. Sobre as previsões de declínio da hegemonia americana, ele reconhece que foi isso que aconteceu com todas as superpotências que tiveram pretensões imperiais, mas afirma que a chave para os Estados Unidos frearem a queda de sua influência está na recuperação de sua economia. Também destaca a disposição anunciada por Obama de negociar com os inimigos dos Estados Unidos, e critica McCain por uma suposta aversão à diplomacia. Segundo Holbrooke, a tradição militar de onde McCain vem incutiu nele a idéia de que negociar é ceder.

Já Kagan, autor mais recentemente de um livro chamado "O Retorno da História", tenta primeiro lustrar o currículo do presidente Bush. Diz que a arrogância que muitos relacionam a Bush já estava presente nos dois mandatos de Clinton que se seguiram ao fim da Guerra Fria e que o fato de não ter havido novos atentados nos EUA depois do 11 de Setembro indica que, apesar dos conflitos prolongados no Afeganistão e no Iraque, a chamada "guerra ao terror" não foi um fracasso tão grande assim.

Kagan concorda com Holbrooke e com a maioria dos especialistas na idéia de que o mundo agora é multipolar, mas diz que nenhuma das potências emergentes ou reemergentes, da super China à Rússia, tem o apelo de "soft power" que segundo ele os Estados Unidos ainda têm. "A posição dos Estados Unidos no mundo hoje não é tão ruim como dizem", afirma. "As previsões de que outras potências se uniriam para contrabalançar o poder da superpotência pária se mostraram pouco acuradas."

 

Escrito por Claudia Antunes às 13h46

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Pesquisa do dia


Média de pesquisas agregadas pelo site Real Clear Politics entre 14 e 24 de agosto:

Barack Obama - 45,5%
John McCain - 43,9%

Escrito por Luciana Coelho às 09h26

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O discurso de Obama


Obama não sabe bater. Não sabe ser direto. Seu discurso tem nuances demais. Esse é o refrão entoado pelos palpiteiros pró-democratas da mídia americana desde que Obama e McCain foram entrevistados em horário nobre da noite do sábado retrasado pelo megapastor evangélico Rick Warren, na Califórnia. McCain disse que o mal é Bin Laden e que o perseguiria até o inferno. Obama, que o mal está em toda parte e que o caminho do inferno está pavimentado de boas intenções.

Os palpiteiros agora despejam sugestões para o discurso que Obama fará na quinta, como candidato oficial.

James Carville, o marqueteiro que criou o legendário slogan "é a economia, estúpido" para a vitória de Bill Clinton em 1992, escreveu no site da CNN que o democrata tem que parar de se comportar como um professor que pesa prós e contras e se mostrar "indignado", "revoltado" com qualquer coisa, do aumento do custo de vida à perda de prestígio dos EUA.

Steven Stark, do "Boston Phoenix", diz que Obama tem que aproximar sua história de vida da do americano comum. Cita o discurso de Bush pai em 1988, que conseguiu convencer o público de que começou a vida em condições modestas, "dividindo um quarto com dois irmãos" no Texas, apesar da fortuna feita no ramo do petróleo.

Edward Luce, correspondente nos EUA do britânico "Financial Times", fala do medo corrente de que Obama se torne mais um Adlai Stevenson, democrata que concorreu duas vezes à Presidência e perdeu, nos anos 50. Certa vez, conta, disseram a Stevenson que as pessoas pensantes o apoiavam. "Eu sei, mas preciso é da maioria", resignou-se o então candidato.

Escrito por Claudia Antunes às 01h12

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Agenda extensa



"American Idol"? Não, é o Pepsi Convention Center, palco democrata em Denver


Para ficar de olho hoje: é o primeiro dia da Convenção Democrata, que acontece até quinta-feira em Denver e oficializará Obama como candidato da oposição. O foco nesta segunda é a história de vida do candidato, e o ponto alto, o discurso de sua mulher, Michelle. Há a expectativa também de que o senador Ted Kennedy, ícone progressista e homenageado da noite, reapareça três meses após afastar-se da vida pública para tratar de um tumor no cérebro.

Como o evento é superlativo (num estádio com capacidade para 75 mil pessoas), a lista de oradores também é, pontuada por políticos do partido, sindicalistas e até parentes. Contadas as três horas de fuso para menos em Denver, não deve terminar antes da madrugada aqui no Brasil.

Do front partidário, falarão hoje a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e mais dois nomes do primeiro escalão, a senadora Claire McCaskill e o ex-deputado Lee Hamilton, além do deputado/ex-pré-candidato/pastor/ativista negro Jesse Jackson (o mesmo que andou acusando Obama, em palavras mais chulas, de não falar grosso o suficiente sobre questões raciais) e de um punhado de nomes da segunda linha.

Fazendo jus à ala “grassroots” democrata, estão escalados a líder da ONG pró-aborto NARAL, o presidente para Chicago da central sindical SEIU (do setor de serviços), o líder da NEA e a da AFT (ambos agremiações de professores). E pela família falam ainda a irmã indonésia-americana do candidato, Maya Soetero-Ng, e o mentor desde seus tempos de organizador comunitário em Chicago, Jerry Kellman. Até o cunhado Craig Robison terá seu momento no palco. Haja fôlego.

Escrito por Luciana Coelho às 00h15

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RETA FINAL

Olá. Bem-vindo ao blog Folha na Sucessão de Bush.

A corrida à Casa Branca entra hoje em sua reta final, oficialmente marcada pelo início das convenções partidárias. Democratas nesta semana, republicanos na semana que vem. Se contarmos como início o momento em que o democrata Barack Obama anunciou sua pré-candidatura à Presidência dos EUA, foram 563 dias de campanha até agora _528 se começarmos com o anúncio do republicano John McCain. E há outros 71 pela frente até 4 de novembro.

Estamos aqui para ajudá-los a não se perder no meio da enxurrada de informações que produz uma disputa tão longa e acirrada e para oferecer elementos que ajudem a entender como o resultado desta eleição pode afetar não só os Estados Unidos, mas a política e a economia mundial.

Logo mais, a agenda da Convenção Democrata, onde estão os correspondentes Sérgio Dávila e Daniel Bergamasco.

Escrito por Luciana Coelho às 00h00

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PERFIL

O blog Folha na Sucessão de Bush coloca uma lupa na eleição presidencial nos EUA e magnifica a cobertura da Folha. Com os repórteres Sérgio Dávila, Fernando Rodrigues, Daniel Bergamasco e Andrea Murta em campo e os comentários da editora de Mundo da Folha, Claudia Antunes, e da editora-adjunta, Luciana Coelho, traz bastidores, discussões e curiosidades que ajudam a explicar este momento de transição na história americana.

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